L 1: Is 60, 1-6; Sl 71 (72), 2. 7-8. 10-11. 12-13 L 2: Ef 3, 2-3a. 5-6; Ev: Mt 2, 1-12, na Solenidade da Epifania do Senhor (Ano A). Reflexão inspirada em parte no “Meditar a Palavra” do Pe. Pedro Rodrigues
A “Epifania” ─ que quer dizer “manifestação” ─ ajuda-nos a celebrar um dos mistérios mais belos da fé cristã: Deus que Se manifesta ao mundo, não com o poder, mas na fragilidade de uma criança.
Os Magos representam todos os buscadores de Deus que, vindos de terras distantes, dão atenção aos sinais que apontam para a presença da Luz divina naquele Menino, pobre e indefeso, reconhecendo n’Ele o Rei que veio trazer a salvação a todos os povos.
Qual é o caminho da verdadeira adoração de que os Magos dão testemunho? Contemplemo-lo em 3 passos:
- Levantar os olhos. O Papa Francisco dizia que adorar o Senhor não é algo imediato e natural. Exige maturidade espiritual, fruto de uma caminhada interior que começa com a atitude corajosa de levantar os olhos. Ele dizia, também, que só saímos dos labirintos humanos se olharmos para cima. O ser humano tem sede de adoração ao verdadeiro Deus, foi criado para isso, mas muitas vezes perde-se na adoração a falsos deuses (o dinheiro, o sucesso, o poder, a aparência, as próprias ideias), idolatrando aquilo que não pode salvar. Para isso, é preciso libertar o coração dos ídolos e colocá-lo novamente no centro certo: o amor de Deus que Se fez próximo. Por isso, é preciso levantarmos os olhos para Ele, não deixando que as preocupações, os problemas que nos cercam e as deceções do dia-a-dia nos aprisionem, nos apaguem a esperança e nos impeçam de ver a sua Luz. Levantar os olhos é ver o horizonte maior, dar conta de que o Senhor está connosco, ajuda-nos a não negar a realidade, mas entendê-la à luz da fé.
- Pôr-se a caminho. Não há perigo maior para o crente do que ficar preso a ideias ou a tradições humanas, como aquelas que levaram Herodes a ter medo daquela nova forma de presença divina. Os Magos não ficaram parados nos seus pensamentos fantasiosos, mas foram investigar, correndo riscos. Mas seguiram a estrela com perseverança. É assim que se vive a fé: não possuímos todas as respostas, mas confiamos na direção de Deus. Mesmo quando a luz parece desaparecer, o caminho se torna incerto e as dificuldades nos cansam, é aí que a verdadeira adoração nos purifica, não com garantias humanas, mas por amor. Adorar é caminhar em direção Àquele que nos ama, mesmo nas noites da fé.
- Ver. Reconhecer Deus onde Ele realmente está. Os Magos encontraram uma criança pobre, envolta em panos, nos braços de sua Mãe. Não havia trono, não havia esplendor, apenas simplicidade. E, no entanto, eles prostraram-se e adoraram-n’O.
Isto é o coração da Epifania: descobrir o divino escondido no ordinário. Deus não Se manifesta na ostentação, mas nas coisas pequenas; não está apenas nas grandes vitórias, mas na ternura, no perdão, na vida simples, na solidariedade com os pobres e esquecidos. Quem não aprende a ver Deus nas pequenas coisas dificilmente O encontrará nas grandes. Adorar é, portanto, reconhecer a presença de Deus nas realidades humildes e nos rostos que passam despercebidos. É abrir o coração à gratidão, à confiança e à alegria. Quando nos ajoelhamos diante do Menino Deus encontramos uma paz que o mundo não pode dar. É a alegria de quem sabe que Deus cumpre as suas promessas, mesmo no meio das tempestades.
Por isso, a Epifania ensina-nos a grande lição de que a luz de Cristo é para todos os povos. Os Magos representam a humanidade inteira chamada à salvação. Em Jesus, não há fronteiras nem exclusões: todos são convidados a aproximar-se da luz. Ela não se difunde por proselitismo, mas pelo testemunho de vida, pela caridade, pela coerência. Ser cristão é deixar-se iluminar por Cristo e ser portador dessa luz para os outros.
Tenhamos, no tempo presente, como referência estes buscadores de Deus!
