navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Funeral, no contexto do Advento (IV Domingo ─ A)

Caríssimos irmãos, o Papa Leão XIV, na audiência de 10 de dezembro, disse que

O mistério da morte sempre suscitou profundas interrogações no ser humano. Com efeito, ela parece ser o acontecimento mais natural e, ao mesmo tempo, mais inatural que existe. É natural, porque na terra todos os seres vivos morrem. É inatural, porque o desejo de vida e de eternidade que sentimos por nós mesmos e pelas pessoas que amamos nos leva a ver a morte como uma condenação, como um “contrassenso”.

Mesmo diante de uma cultura que foge da morte e de todos os sinais do contacto com ela, no intuito de procurar a tranquilidade e de não perturbar a sensibilidade, o Santo Padre convida-nos a não dar à morte a última palavra sobre a vida. Estar conscientes da morte não nos livra dela e até sobrecarrega a nossa consciência humana em comparação com os outros seres da criação. Conscientes e impotentes. Porém, a experiência de contacto com a morte é mestra da vida. Meditar sobre ela ensina-nos a escolher o que realmente fazer da nossa existência, a ligar menos ao que não é essencial e a colocar os olhos num horizonte mais vasto do que a existência terrena.

O evento da Ressurreição de Cristo revela-nos que a morte não se opõe à vida, mas é uma sua parte constitutiva, como passagem para a vida eterna. A Páscoa de Jesus faz-nos saborear antecipadamente, neste tempo ainda cheio de sofrimentos e provações, a plenitude do que acontecerá após a morte.

Um sacerdote da Arquidiocese de Braga, que escreveu um ensaio de teologia com o título “Os sapatos de Deus” escreveu ali que

Se é verdade que nos devemos orgulhar do humano ter colocado os pés na lua, não menos devemos maravilhar por conhecer um Deus que colocou os pés na terra.

Acrescento que também podemos confiar que os nossos entes queridos que já partiram deste mundo já colocaram os seus pés no céu.