L 1 1Mac 1,10-15.41-43.54-57.62-64; Sl 118 (119),53 e 61.134.150.155.158; Ev Lc 18, 35-43, na memória de Santa Isabel da Hungria, religiosa
O Evangelho ajuda-nos a contemplar um pequeno caminho de fé vivido por aquele cego de Jericó, feito de limitação (a cegueira) e de súplica (oração) ao Mestre que ele sabe que lhe pode devolver a visão. Mas aquele cego já vê com a memória o que a visão física não alcança: reconhece em Jesus que é o Messias, Filho de David, o enviado por Deus, o Senhor. A constatação da cura, faz com que a fé se transforme num processo de seguimento por parte do cego e de celebração por parte do povo. É assim a oração cristã: espaço de cura, seguimento e Eucaristia.
É este processo constante de cura, seguimento e ação de graças diante do verdadeiro Deus que é necessário diante das adversidades como a que é relatado no Primeiro Livro dos Macabeus. A cultura social, não raramente, coloca-nos diante da possibilidade de duvidarmos entre o permanecer firme e irredutível de manter o propósito de servir só a Lei do Senhor Deus e as novas possibilidades de bem-estar que aquela cultura nos oferece. Por vezes, só é possível darmos conta que fomos apanhados na trama idolátrica a partir das doenças espirituais. Urge, por isso, considerar um permanente estado de conversão pessoal e comunitário. Sem este estado permanente de conversão corremos o risco de deitar a perder o dom que é a vida humana, própria e a dos outros, que merece ser cuidada, vigiada e protegida.
Cruzei-me com um documentário na Internet que me deixou muito triste: os crimes de genocídio foram registados durante durante a Guerra da Bósnia, entre 1992 e 1996, descritos como “safaris humanos“, referindo-se ao caso de italianos que pagavam cerca de 100 mil euros para matar civis no cerco de Sarajevo. As vítimas seriam civis desarmados, incluindo crianças, que foram alvos de tiros disparados por estrangeiros ricos que viajavam à região para praticar “tiro ao alvo humano”. A denúncia aponta que os turistas teriam feito acordos com o exército sérvio-bósnio, comandado por alguém condenado mais tarde a 40 anos de prisão por genocídio e crimes contra a humanidade. As investigações revelam que os turistas viajavam de Trieste a Belgrado com uma companhia aérea sérvia e pagavam militares para participar de “fins de semana de tiro”. Segundo informações de um jornal espanhol, o assassinato de crianças era mais caro. Investigando notícias deste género, encontramos outras que se referem a safaris de caça aos humanos, também no sul da Ucrânia, realidade que tem tido pouco visibilidade na imprensa internacional. A invisibilidade de atrocidades como estas levam a um certo adormecimento dos nossos sentidos.
A vida e vocação de Santa Isabel da Hungria provam-nos que o cuidado para com o próximo está ligada a uma vida de intensa meditação das realidades celestes e à renúncia dos bens terrenos, colocados ao cuidado dos que sofrem.
Peço a Deus que estas notícias que conseguiram chegar até nós sejam suficientes para que se mantenha ativa uma absoluta rejeição do horror da guerra e da selvajaria sem limites, da agressão de países que tentam lucrar com a violência com que alguns se divertem, para que acabe o desrespeito para com a pessoa humana e cresça ainda mais em toda a parte a cultura do cuidado do ser humano e da casa comum. Oremos, irmãos.
