navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 Ex 17, 8-13; Sl 120 (121), 1-2. 3-4. 5-6. 7-8 L 2 2Tm 3, 14 – 4, 2; Ev Lc 18, 1-8, no XXIX Domingo do Tempo Comum (C)Dia Mundial das Missões

Neste domingo, estamos a viver o Dia Mundial das Missões, para a qual o Santo Padre nos dedicou uma mensagem com o título “Missionários de esperança entre os povos”. Neste sentido, convida-nos a ser “artesãos de esperança”. COmo é que o podemos ser?

Ele indica-nos 4 passos para o podermos ser:

1) Primeiro, colocando os nossos pés das “pegadas” de Cristo, ouvir as suas palavras e contemplando os seus gestos. Partindo da experiência pascal de Cristo morto e ressuscitado (celebrada no Tríduo pascal e em cada Páscoa semanal, na Eucaristia ao domingo). A este respeito Paulo exortou a Timóteo: «Permanece firme no que aprendeste e aceitaste como certo», «as Sagradas Escrituras; elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação, pela fé em Cristo Jesus». Portanto, todo o caminho missionário parte de Jesus e da nossa fé firme n’Ele, porque «Toda a Escritura, inspirada por Deus, é útil para ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça». Por isso, convida: «Proclama a palavra, insiste a propósito e fora de propósito, argumenta, ameaça e exorta, com toda a paciência e doutrina». Lembremo-nos do Evangelho do Domingo passado, como aquele leproso estrangeiro voltou para Jesus, para lhe agradecer a cura e reconhecê-l’O como fonte de salvação.

2) Exercendo a missão da oração como primeira ação missionária. Toda a liturgia de hoje versa sobre este tema. Mostra-nos em Moisés a missão da oração, enquanto Israel estava a defender-se de Amalec. A oração é um instrumento, não alternativo nem a substituir a luta diária diante dos desafios da vida, mas um instrumento recíproco juntamente com os afazeres da vida. No Evangelho, Jesus mostra-nos a força da oração, com a parábola da viúva e do juiz iníquo. O que vence este homem é a insistência daquela mulher injustiçada. É assim que Jesus nos convida a viver a oração: crente e insistente. A pessoa que tem esperança ou que sabe esperar é uma pessoa que reza. E é Cristo a nossa esperança!

3) Outro passo para sermos “missionários da esperança entre os povos” é o acompanhamento da vida de cada irmão na comunidade, para que cada pessoa possa viver uma vida digna e chegar à maturidade da fé. E isto é uma missão que precisamos de fazer em estilo sinodal, porque a evangelização é um processo comunitário. Juntos, somos convidados a olhar para a realidade, perscrutando nela as verdadeiras necessidades que exigem uma resposta. Até nisto precisamos de imitar o Mestre, pois não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no coração de Cristo. E todos juntos neste seguimento de Jesus compassivo, tornar-nos-emos numa Igreja missionária. E esta é a essência da Igreja: ser missionária na fidelidade a Jesus e na compaixão para com os nossos contemporâneos. Como aquela mulher viúva injustiçada, hoje há muitos dos nossos irmãos e irmãs contemporâneos que não tenha quem os defenda diante de injustiças que atrapalham o caminho feliz da sua vida. Estes nossos irmãos são a cura para o nosso preconceito e a indiferença de muitos!

4) Por fim, sugere-nos Maria, Aquela a quem nos convida a entregar o desejo de «que a luz da esperança cristã chegue a cada pessoa, como mensagem do amor de Deus dirigida a todos. E que a Igreja seja testemunha fiel deste anúncio em todas as partes do mundo». É Maria que nos ajuda a preservar a fé sobre esta terra. Com Maria, aprendemos a unir o olhar para o Alto com o acolhimento do Espírito Santo que nos leva a agir conforme o Amor compassivo de Deus para com todos, em especial os mais pobres.