navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Rm 8,28-32; Jo 15,1-11, na celebração do Batismo de uma criança

Hoje acontece o primeiro encontro de N. com a Páscoa de Jesus. Sem saber, ainda, N. está morrer e a ressuscitar com Jesus. Os pais de N. sabem disso: que a imersão de N. em Jesus a faz vir d’Ele com uma promessa, a da vida eterna. Não é uma adesão mental, nem um ato mágico. A lógica do Sacramento vai noutra direção: não estamos a exercer um poder sobre Deus; pelo contrário é Ele que Se quer encontrar com N. e a sua família e viver uma relação recíproca de pertença.

Uma das experiências mais básicas do cuidado para com uma criança é o banho que acontece diariamente, certo? Dá-se banho com todo o carinho; é quase uma celebração o dar do banho a uma criança, entre a temperatura, o ambiente que se cria, o cuidado com as roupas e, até, o tipo de shampoo que se usa. É um jogo!

Reparemos com curiosidade que até o ritual do Batismo é todo ele feito de vários elementos, à semelhança do jogo higiénico e afetivo do banho carinhoso e diário que é dado a uma criança. Os frutos que daí se tiram são múltiplos: a saúde física e psíquica, a relação com a mãe e o pai, os irmãos, o perfume natural que apressa o tocar e o beijar.

No caso do Sacramento do Batismo é o banho da água da vida. Água que dá vida. Porque é água + Espírito Santo que dá a vida! É o banho não só para alma para todo o ser. E Jesus não usa shampoo, mas o óleo dos catecúmenos que purifica e livra do mal; não usa o perfuminho, mas o óleo do crisma perfumado em Quinta-feira Santa, que consagra como discípulos-misisonários. E a luz do círio pascal a “lanterna” que nos ajuda a concentrar atenção no que é essencial. No Batismo, a banheira é substituída pela Pia Batismal, lugar onde todos nascemos para a mesma vida, sinal de fraternidade em Cristo. E a toalhinha do banho (que aqui também aparece para limpar da água natural) dá lugar à veste branca festiva, sinal da vida que nunca mais se apagará!

Dar muito fruto é isto: a vontade de Deus que implica viver esta familiaridade com Ele e entre nós. E a glória de Deus é que demos muito fruto. A causa é o amor recíproco (chamamento e resposta) e o fruto maior é a alegria. A partir do Batismo é muito mais fácil sentir o prazer de sermos atraídos por Deus, vivendo com liberdade o que Ele nos propõe para conservarmos esta vida divina.

O que São Paulo nos quis dizer na primeira leitura é que Deus já conhecia a Mariana antes mesmo de os seus pais, irmãos, avós, tios e todos nós a conhecermos. Conheceu-a e predestinou-a. Presenteou-a com esta família amorosa. Chamou-a a pertencer a ela. E a justificação é esta: esta família tomar consciência disso pelo Batismo, devolvendo-a à sua pertença fundamental que é o seio do amor de Deus. É por isso que o Apóstolo disse “se Deus está por nós, quem estará contra nós?” Somos sua pertença. E Deus não defenderá até ao infinito o que Lhe pertence? Foi para isso que entregou o próprio Filho naquele Batismo que dá origem a este, na Cruz pascal. É por Ele que nos dá todas as coisas. E a N. durante toda a sua vida, com o cuidado dos pais, a ajuda dos padrinhos e de todos nós.

É essa a nossa esperança em Jesus!