L 1 Jn 1,1 – 2,1.11; Sl Jn 2, 3. 4. 5. 8 Ev Lc 10, 25-37
Deus todo-poderoso e eterno,
que, na abundância do vosso amor,
cumulais de bens os que Vos imploram,
muito além dos seus méritos e desejos,
pela vossa misericórdia,
libertai a nossa consciência de toda a inquietação
e dai-nos o que nem sequer ousamos pedir.
A oração coleta desta semana ajuda-nos a compreender que a graça gratuita de Deus supera tudo aquilo que lhe possamos pedir. E, diante da sua imensa bondade, vemo-nos frequentemente a não estar em sintonia com o que verdadeiramente Ele sabe que nos faz bem e que precisamos. Neste domingo passado ouvíamos os Apóstolos a pedir a Jesus que lhes aumentasse a sua fé, ao que Jesus respondeu que bastava que fosse pequenina como o grão de mostarda. Hoje, vemos um doutor da lei a perguntar-Lhe “Quem é o meu próximo?”, sem se dar conta de que estava a desperdiçar a sua riqueza espiritual pessoal com uma versão individualista de santidade.
Ter uma fé de qualidade, que é adesão dócil ao caminho proposto por Jesus, e fazer-se próximo dos que precisam: são duas faces da mesma moeda. Há quem pense que para ser discípulo-missionário tem de partir do cimo, como que tivesse feito o mesmo trajeto de Deus para O poder imitar. Esse é o caminho do triunfalismo que Jesus não percorreu; não O podemos imitar por aí, porque Ele não veio por essa lógica.
O caminho percorrido por Jesus é o caminho com os pés na terra, cumprindo a vontade de Deus com a força do Espírito Santo. A parábola que Jesus contou ao doutor da lei mostra-nos que o mais importante é aprendermos a ser feitores do amor, através da sabedoria do coração, valorizando o que aos olhos dos homens nem sempre é percetível, mas aos gestos humildes a que Deus dá muito valor.
Ouvi alguém sábio dizer que a religião é o ser humano à procura de Deus; e muitas vezes este caminho é feito solitariamente, tentando-se encontrar Deus sem a fraternidade. O cristianismo é, ao invés, Deus que anda à procura do ser humano; e Ele fá-lo bem feito e envolve-nos na mesma aventura de encontrar e celebrar Deus no encontro com os irmãos. Por vezes, como insinua Jesus, um estrangeiro (ou seja, de quem menos era de esperar) é capaz de viver mais centradamente a caridade do Evangelho do que um membro do Povo de Deus. Significa que os pagãos também têm uma vocação. A eles quer-Se assemelhar Cristo que também veio de longe como “forasteiro”, abeirando-se da humanidade decaída, para a curar e elevar.
APP Fazer-se próximo
Durante a semana, procuremo-nos pensar em alguém que precise de ajuda ou que esteja numa situação de doença ou solidão. Façamo-nos próximos de algum modo: presencialmente, telefonando, enviando uma mensagem pelo correio, fazendo um quer gesto de carinho, para que a pessoa se sinta acolhida na “estalagem” do nosso coração.
