A parábola que, hoje, o Senhor nos conta não é meramente sobre o dinheiro. Todos nós somos administradores de uma riqueza que não é nossa, e que nos foi confiada para a sabermos administrar para criar e fortalecer laços de fraternidade solidária.
O grande fosso que existe entre os poucos ricos e os muitos pobres do mundo é prova de que não só esta fraternidade solidária está em baixo, como a usura desonesta dos bens deste mundo está em alta.
O administrador da parábola foi desonesto duas vezes. E da segunda vez ainda foi pior. Primeiro, anda a esbanjar os bens do seu senhor; depois, por não ter força para cavar e por ter vergonha para mendigar, ainda vai diminuir as dívidas dos devedores do seu senhor. É pior a emenda que o soneto! Ou seja, significa que a tentativa de correção piorou a situação original.
O conselho que esta liturgia da Palavra nos deixa diante desta parábola de Jesus é que somos chamados diariamente a fazer um exame de consciência para reconhecermos que somos pecadores, pois nem sempre temos o Deus verdadeiro como único Deus, a par de outros deuses que concebemos à nossa imagem; mas também para encontrar inspiração no Evangelho, para sermos criativos em fazer o bem através na honestidade no uso dos bens materiais e até dos dons com que o Criador nos presenteia.
Paulo sugere a Timóteo que erga as mãos em oração por todos aqueles que estão investidos de autoridade, “para que possamos ter uma vida tranquila e sossegada, com toda a piedade e dignidade”. Esta oração tem como objetivo baixar os muros que existem entre os seres humanos, marginalizando e dispersando as pessoas. Olhemos para o que está a acontecer nos países em guerra! A oração e a ação de Cristo quebram todas as barreiras e permitem-nos construir pontes de comunhão e solidariedade entre os irmãos.
Por vezes, tarde e mal chega a hora, mas é sempre tempo, em que as pessoas não devam pensar apenas em si próprias e nos seu próprio lucro, mas deve comprometer-se com relacionamentos humanos mais fortes e maduros. Seja como for, na vida daquele administrador, podemos contemplar dois momentos: antes da sua conversão contribuiu para criar pobreza com a sua atitude; depois, redimido da lógica da ganância, torna-se um instrumento de libertação para os pobres afogados pelos jogos de poder comercial e económico, para restaurar a sua dignidade. Quer dizer que Deus tira sempre algum bem do que é mal. É só Ele que consegue fazer isso! Pode ser estranho ver Jesus a louvar o administrador desonesto. A razão pelo qual o faz é, talvez, porque Ele ao ver o administrador desonesto a “roubar” para fazer amigos, fá-lo por um objetivo mais nobre que é fazer amigos. Jesus, pois, encoraja também as pequeninas mudanças. Ele não é um fanático como nós!
A profecia de Amós, bem a compreendeu e defendeu Santo António quando denunciou no seu tempo a usura que prejudicou demasiadamente muitas famílias, ao ponto de os devedores chegarem ao desespero, por não conseguirem pagar os juros injustos, hipotecando todos os seus haveres por tempo indeterminado, e prejudicando a vida dos seus familiares.
Neste dia 21 de setembro, a liturgia dominical tem prevalência sobre a Festa do Apóstolo São Mateus. Ainda assim, é oportuno contemplarmos como aquele que tinha a má fama de publicano (naquele tempo, um mau gestor de impostos) se tornou num verdadeiro seguidor do Mestre e um bom administrador dos seus ensinamentos.
APP Prateleira da partilha
Nos hipermercados há muitas prateleiras com coisas que não precisamos. Mas há uma prateleira que podemos ter em nossas casas e nas nossas igrejas que superam quaisquer prateleiras: são as prateleiras da partilha. Nestas costumamos colocar coisas, roupas ou bens alimentares para distribuirmos pelos pobres.
