navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 1Tm 6, 13-16; Sl 99 (100), 2. 3. 4. 5 Ev Lc 8, 4-15, na memória dos Santos mártires André, Paulo e companheiros

Nesta parábola que Jesus conta sobre o semeador e a semente da Palavra de Deus, impressiona-me um aspeto que nem sempre, à primeira vista, sobressai à nossa atenção. Quanto nos explica o sentido da parábola, refere-se a duas situações em que os ouvintes se encontram (não quatro!) e a duas definições de semente.

Duas situações em que se podem encontrar os ouvintes da Palavra:
1) Os que estão à beira do caminho. A estes, o diabo tira-lhes a Palavra do coração.
2) Os que estão em terreno pedregoso, acolhem a Palavra com alegria, mas deixam de acreditar no meio de provações.
Nestas duas situações há que reparar que os destinatários já são ouvintes. No entanto, há influências e adversidades que não deixam que a Palavra crie raízes no seu coração, de modo a que possam vir a ser seguidores no próprio caminho. Estes são os ouvintes passivos da Palavra de Deus, que não se levantam a favor dos seus valores.

Duas definições de semente são as que se referem aos ouvintes ativos da Palavra:
1) “A semente que caiu entre espinhos são aqueles…”, diríamos, por outras palavras, os ativistas, cujo excesso de zelo, dentro do seguimento, pode levar a viver sufocados, deitando a perder o verdadeiro amadurecimento.
2) “A semente que caiu em boa terra são aqueles…” que são perseverantes em qualquer circunstância das suas vidas, acolhendo e vivendo pela Palavra com um coração nobre e generoso, deixando que ela frutifique em suas vidas.

Em 2013, na vigília de oração da JMJ do Rio de Janeiro, o Papa Francisco convidou os jovens a abrir no seu coração um pequenino canteiro, para que aí o Senhor semeasse a sua Palavra, regando-a e deixando que ela crescesse para a vida eterna. É verdade que também há “joio” nos nossos corações, mas não vamos regar o joio, mas a semente da Palavra de Deus! Como garante Paulo a Timóteo, Deus dá a vida a todas as coisas. Compete-nos a nós guardar o mandamento, quer dizer: ser perseverantes na escuta e na prática da Palavra de Deus. Como o foram os santos mártires coreanos no meio de perseguições, que, mesmo sem pastores, durante praticamente dois séculos, foram capazes de acolher e deixar que a força da Palavra dinamizasse a entrada da fé cristã na Coreia. Só nos inícios do século XIX é que apareceram os primeiros pastores para confirmar o ardor da sua fé, provada posteriormente pelo martírio.