navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 1Tm 3, 1-13; Sl 100 (101), 1-2ab. 2cd-3ab. 5. 6 Ev Lc 7, 11-17

No contexto em que Paulo fala a Timóteo, antes do que o celibato, a qualidade para administrar uma comunidade era a capacidade para governar a sua própria casa, com honestidade e hospitalidade, “pois quem não sabe governar a própria casa, como poderá cuidar da Igreja de Deus?”. Não recém-convertido, mas experiente nas coisas da fé.

Ao manifestar-Se diante da viúva de Naim, ressuscitando-lhe o filho, Jesus compadece-Se daquela mulher para revelar que Deus tem o poder de acolher o homem morto e de lhe transformar a vida. A ressurreição é o sentido da vida e para nos adentrarmos neste mistério somos convidados a seguir a pedagogia de Jesus: cuidando da vida e tendo piedade dos que sofrem, oferecendo-lhes a nossa ajuda. Onde parece que todos os caminhos se fecham, onde a velhice, a doença e a morte parecem definitivas. A fé consiste em aceitar a ressurreição dos mortos, deixando que a sua força e a sua verdade penetrem na nossa vida e nos transformem (mesmo no meio da morte física).

A este respeito, foi muito eloquente o testemunho do P. José Dionísio, que antes de falecer afirmou “não tenho medo de morrer, porque sei que vou ressuscitar”. E o seu irmão padre, ao darmo-nos um abraço de condolências, afirmou-me que o seu irmão foi preparando a sua família para viverem com calma esta fé na ressurreição.

No Jubileu dos Sacerdotes, em Roma, o Papa Leão XIV traçou-nos um caminho que permite formar e vir a ser sacerdotes felizes. E o caminho que propõe para esta felicidade vão de encontro às leituras de hoje:

1) A formação é um caminho de relação; não ser apenas competentes, mas amigos de Cristo, o que exige escuta profunda, meditação e vida interior rica e ordenada.

2) A fraternidade é um estilo essencial de quem escolhe esta vida presbiteral. Viver como irmãos entre seminaristas, padres e com os bispos, não como correntes ou individualistas. É preciso desenvolver laços sólidos no Seminário, para que os haja posteriormente nos presbitérios.

3) Formar homens capazes de amar, escutar, rezar e servir juntos. A eficácia da ação decorre do estilo de comunhão, não de forma isolada, mas relacionada com todos os discípulos missionários do povo de Deus.

Alguém dizia que morreremos conforme vivermos. Ou seja: no momento último da morte, iremos demonstrar como foi a nossa vida: conforme os relacionamentos que construímos, a forma como governámos hospedámos em nossas casas, a forma como acolhemos e trabalhámos com os outros. O mesmo se dirá do Seminário no Presbitério em que somos ou fordes inseridos. Seremos felizes lá se aqui formos felizes: centrados em Jesus como irmãos e abertos à cooperação com todos. Enfim, seremos honestos para com Deus se formos acolhedores das dores dos nossos irmãos. É neste cruzamento de relações que se realiza a transformação da vida ou se manifesta o mistério da ressurreição.