navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 Nm 21, 4b-9; Sl 77 (78), 1-2. 34-35. 36-37. 38 L 1 Flp 2, 6-11 Ev Jo 3, 13-17, na Festa da Exaltação da Santa Cruz

Em primeiro lugar, a Cruz gloriosa de Cristo é expressão do infinito amor de Deus, sinal de um afeto desproporcional pela humanidade. Esta nunca conseguirá merecer nem pagar tal amor, chamada somente a aceitá-lo como dom gratuito para a salvação. Em Deus, o verbo amar conjuga-se com o verbo dar. Ele amou/ama tanto que nos deu o Seu Filho unigénito.

Em segundo lugar, a Palavra de Deus revela-nos que diante do mal, ou mistério da iniquidade em que os seres humanos se veem imersos, podemos encontrar uma lição que nos indica o sentido da eternidade. Basta, para isso, não deixar que o mal tenha a última palavra e se revele, precisamente, a força divina que salva.

Em terceiro lugar, na experiência humana e cristã ─ a dimensão cristão nunca é separada da experiência humana, mas ilumina-a, dando-lhe sentido ─ viveremos sempre o paradoxo da cruz, que é, por um lado, a união compreensiva e “sofrível” dos aspetos negativos da existência (a nossa cruz) e com o lado curativo que nos vem da forma como Cristo viveu o seu arrebatamento em nosso favor. Cristo ensinou-nos que na contemplação não violenta do que sofremos podemos ter oportunidade de reorientar o sentido da vida, não deixando que o mal se multiplique, mas abra a porta para uma vida melhor.

Em quarto lugar, não obstante o lago negativo da cruz, que representa os sofrimentos que suportamos na vida, o sinal da cruz abre portas para relações e momentos que indicam o sentido da vida eterna: as refeições familiares festivas, a liturgia comunitária, os sacramentos, as bênçãos, etc. Portanto, a cruz também nos abre o olhar e a vida para algo de belo e de positivo.

Enfim, a santa cruz de Cristo que hoje somos convidados a exaltar, é expressão máxima do amor que Deus, que tanto amou o mundo que lhe enviou o seu Filho único. Ele preferiu esvaziar-Se e meter-Se dentro da nossa história, para, não a partir de cima, mas de dentro, vencer o mistério do mal. A árvore do paraíso foi vencida pela árvore da cruz. Por isso, a salvação não é uma questão de conhecimento, mas de amor. Assim, é acessível a todos os corações.

APP Cruz Semáforo
Cruz vermelha: diante do mal é para travar.
Cruz amarela: diante da dúvida ter prudência.
Cruz verde: diante do bem é para seguir em frente.