L 1 1Ts 2, 1-8; Sl 138 (139), 1-3. 4-6 Ev Mt 23, 23-26
Hoje, Jesus quer-nos afastar do calculismo legalista e mercantilista dos fariseus que redundavam no ganho de emolumentos injustos. Sublinhando, ao mesmo tempo, que o que interessa a Deus é a justiça, a misericórdia e a fidelidade. O rigor sobre as coisas deste mundo só é válido aos olhos de Deus se forem para construir o bem comum, se inspirarem misericórdia para com quem por vezes cai e se ajudar a ser fiel ao projeto de Deus.
Quantas vezes somos intransigentes em pequeninas coisas só porque sim, sem uma razão profunda, mas só porque não questionamos a origem e a verdadeira utilidade das coisas? Sem nos darmos conta, “engolimos o camelo”. E quantas vezes nos preocupamos com a beleza exterior, sempre subjetiva, e esquecemo-nos de cuidar da beleza interior com mais objetividade?
Uma comunidade eclesial que olhasse meramente às coisas externas sem cuidar da vida interior das pessoas, depressa resvalaria para a política sem ética, em vez de ser missionária. A sabedoria de Deus ajuda-nos a dar a cada coisa o seu valor, numa hierarquia harmoniosa. Assim, ser-nos-á mais fácil viver o Evangelho como Paulo: não para receber honras humanas, mas para agradar a Deus, mesmo no meio de adversidades.
Para que nas coisas exteriores ─ limpeza, rituais, ambiente, etc. ─ experimentemos a beleza que salva, somos chamados por Jesus a fazer reformas na vida interior, alimentada pelo amor a Deus e ao próximo. Na simplicidade da porta estreita que é Jesus experimentaremos a largueza do amor de Deus; ao invés, nos nossos rigorismos, por vezes mesquinhos, fechamos estreitamos o acesso ao amor infinito de Deus para cada um de nós e para todos. Partamos sempre de Jesus e não de nós mesmos, no que temos de bom e de menos bom.
