L 1 1Ts 2, 9-13; Sl 138 (139), 7-8. 9-10. 11-12 Ev Mt 23, 27-32, na memória de Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho

Conforme Jesus não deixou as pessoas do seu tempo sozinhas, à mercê daqueles que sucediam aos algozes dos profetas, também hoje os padres e as freiras, unidos aos seus patriarcas greco-ortodoxo e latino de Jerusalém, continuam a acompanhar os que sofrem as ameaças da guerra em Gaza.
Há um sabor evangélico, a decisão do Card. Pizzaballa e de Teófilo III de não retirar a presença dos seus padres e religiosos das suas paróquias em Gaza. Antes de dever, é um serviço de amor. Implica assumir os riscos que são próprios de quem está desarmado no meio da guerra, sabendo, porém, que talvez este é o único modo de criar os pressupostos da paz. O mesmo aconteceu com Jesus, entre a “pequenina grei” dos seus discípulos e o poder dos “grandes” com que se debatia (que naquele tempo acumulavam poderes religiosos e políticos ao mesmo tempo). Já no tempo de Jesus como neste tempo, o que se tratava é a questão do bem comum, de cuja forma de viver dependerá, também, o próprio acesso à salvação.
Dizem aqueles que cuidam dos que sofrem em Gaza: “Deixar Gaza e procurar fugir para o sul seria uma condenação à morte”, argumentando que “não pode haver futuro baseado no cativeiro, na deslocação de palestinianos ou na vingança. Não há razão para justificar a deslocação em massa deliberada e forçada de civis”. Quem gere assim a guerra como ” “empresa”, sem ouvir os apelos do senso comum em favor da paz, podemos considerá-los como Jesus declarou: “sepulcros caiados” contrastantes com os “túmulos dos justos”. Como pode haver esforços de algumas nações da comunidade internacional para “embelezar” Gaza ou torná-la um resort habitável? E como é possível que uma alta patente da diplomacia internacional possa negar que haja fome em Gaza? Como é que a comunidade internacional pode assistir incólume a este colapso da humanidade?
A indignação de Jesus diante dos perpetradores do mal não é vazia de razões reais! Prova da Sua presença e atitude como Ressuscitado, hoje, é o testemunho ecuménico dos patriarcas no Oriente, cujos espaços eclesiais têm servido de refúgio para muitos fragilizados e mal nutridos por causa da guerra. Quando ─ como Paulo dava graças a Deus ─ os crentes recebem a pregação, acolhendo-a, não como palavra humana, mas como ela é realmente, palavra de Deus, que permanece ativa em nós, então o trabalho em favor dos irmãos deixa de ser um peso e a irrepreensibilidade no meio das dificuldades é antecipação da participação na glória de Deus.
Na audiência de hoje, o Papa Leão XIV garantiu-nos que “Deus se manifesta onde a humanidade experimenta a injustiça, o medo e a solidão”, destacando que “nos momentos mais obscuros, podemos ser livres para amar até ao fim”. Lembra-nos, também, que “Jesus nos ensina que a esperança cristã não é fuga, mas compromisso. Esta atitude é fruto de uma oração profunda, na que se pede a Deus a força para perseverar e permanecer no amor. Jesus, ao deixar-Se prender, está persuadido de que, no meio de sofrimentos mais injustos, esconde-se o gérmen de uma vida nova. E é nisto que consiste a esperança autêntica”.
Com esta celebração da Eucaristia, transformemos em oração o apelo do patriarca Grego-Ortodoxo de Jerusalém e do patriarca Latino de Jerusalém, para que a comunidade internacional atue “no sentido de pôr fim a esta guerra destrutiva e sem sentido”, e para que as pessoas desaparecidas e os reféns israelitas “sejam devolvidos”. Com o Santo Padre rezemos pelo fim da guerra na Terra Santa e para que se facilite a entrada segura da ajuda humanitária.
Hoje, vale-nos muito a oração de Santa Mónica, cujas lágrimas ajudaram a transformar o coração do seu filho Agostinho, ajudando-o a passar dos prazeres da cidade terrena para a santidade da cidade de Deus.
