Lc 23,44-46.50.52-53, num Funeral
Porque é que sepultamos os nossos entes falecidos, reverenciando o seu corpo? Só porque sim, porque os nossos antepassados o faziam para nós continuarmos a cumprir uma lei antiga? Só por mandato civil ou cultura social?
No Evangelho, o evangelista conta-nos que depois de o Senhor entregar o seu espírito a Deus e expirar, um homem bom e justo chamado José (de Arimateia) foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Desceu-O da cruz, envolveu-o num lençol e depositou-O num sepulcro escavado na rocha (não na terra). Num sepulcro novo.
As palavras e os gestos da fé à volta do cuidado para com os mortos estão cheios de sinais de vida eterna. Curvarmo-nos com reverência diante dos corpos dos nossos entes queridos que falecem e partem é curvarmo-nos diante do mistério da vida eterna que inclui esta passagem.
Estamos aqui hoje para viver a esperança cristã, que não é uma espera paciente de ver o relógio passar, mas um modo profundo e ativo de ver e de interagir com o mistério da vida na sua profundidade e amplitude. A esperança cristã é uma pessoa: é Cristo vivo. E Ele não nos engana.
Não é que a morte eterna não exista, porque está aberta a possibilidade que algum ser humano não acredite na vida eterna e escolha voluntariamente a morte eterna, quer dizer, o eterno afastamento da vida que está em Deus e que é o próprio Deus e o desígnio que Ele mesmo preparou para cada sua criatura.
Mas acreditar em Jesus ressuscitado é acreditar na vida eterna. Um discípulo de Cristo não acredita na morte sem ressurreição, vive e entrega a sua vida nesse mesmo espírito, não só no momento último da existência, mas em todos os dias, no modo de viver a vida terrena.
