navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 Is 9, 1-6; Sl 112 (113), 1-2. 3-4. 5-6. 7-8 Ev Lc 1, 26-38, na memória obrigatória da Virgem Santa Maria, Rainha |Dia de oração e jejum pela paz, a convite do Papa Leão XIV. Reflexão inspirada em parte em VV.AA. Comentários à Bíblia Litúrgica. Assafarge: Gráfica de Coimbra 2, 2007.

Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas ─ como são contrastantes estas palavras com as do mesmo profeta Isaías quando disse Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia boas novas a Sião… (Is 52,7).

O Evangelho próprio da liturgia da memória de Nossa Senhora demonstra-nos que, no fundo, é Deus quem age na história, não é impassível. É força libertadora e exigente que dirige os caminhos da história de Israel. Agora, quer atuar através de Maria. O Anjo é expressão da sua proximidade. Propõe uma nova criação através do seu Espírito. Torna-Se presente no Filho que nasce de Maria.

Maria é expressão da humanidade que se mantém aberta ao mistério de Deus. Nela está sintetizada toda a esperança de Israel, como se verá na entoação do Magnificat diante da sua prima Isabel. Representa todos aqueles que procuram a sua verdade e o seu futuro. Maria é expressão da humanidade enriquecida por Deus e que não deitou a perder os seus dons. É expressão da humanidade que ama e espera, que aceita Deus, que escuta a sua Palavra e que se oferece como instrumento da sua obra. Faça-se em mim…

O relato da Anunciação refere-se, também, ao momento culminante da primeira epifania do Espírito Santo, a força do amor de Deus que quer conduzir a humanidade para Cristo, apoderando-Se de Maria e convertendo-A em mãe, para ser a origem humana do Filho de Deus.

A abertura do coração de Maria permite que Jesus incarne na história da humanidade, para instaurar o Reino de Deus, que é reino da justiça e da paz que vêm de Deus. A meta da anunciação é a salvação da humanidade. E o “faça-se em mim” de Maria é a porta de um caminho que pode sempre mudar a história da humanidade. Como percorremos esse caminho, imitando Maria? Silêncio diante dos problemas que assolam a humanidade, escuta da Palavra de Deus, colaboração com a vontade de Deus que ouve os gritos da humanidade.