navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 Gn 15, 1-12. 17-18; Sl 104 (105), 1-2. 3-4. 6-7. 8-9 Ev Mt 7, 15-20; o itálico refere-se à admonição do dia.

No Jubileu dos Bispos, que está a acontecer hoje em Roma, o Papa Leão XIV exortou-os a despojados de todo poder, de toda prepotência e sermos verdadeiramente servidores (cf. Disrcuso do Papa). Diz ainda: “Os pobres devem encontrar nele um pai e um irmão, não se sentirem desconfortáveis ​​em encontrá-lo ou entrar em sua casa. É pessoalmente desapegado das riquezas e não cede a favoritismos com base nelas ou noutras formas de poder”.

Aos seminaristas, o Santo Padre aconselhou: “nunca se acomodem e rejeitem todo o disfarce”. Com o Papa, aprendemos que a discrepância entre o que se veste e o que se é na realidade não só dificulta a felicidade pessoal como dificulta o acesso ao encontro com Cristo a partir do nosso serviço. Mesmo que o interior não se veja. Convidou-os a vir a ser “pessoas e sacerdotes felizes, pontes e não obstáculos ao encontro com Cristo”. Por isso, o Papa Leão XIV pediu padres autênticos, sem “máscaras”, e sublinhou a necessidade de “aprender a discernir”, com “momentos diários de silêncio, meditação e oração”. E que o Seminário seja uma escola dos afetos.

A cautela que o Senhor convida os seus discípulos a ter em relação aos falsos profetas ─ que andam vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes ─ pode ler-se em pelo menos duas vertentes:

1) A literal, do ser, ou seja, a que se refere à relação raramente unívoca entre a realidade do ser de cada pessoa e a aparência com que se apresenta.

2) A espacial, relativa ao ter, entre a forma como se apresenta na rua e a forma como vive e acolhe em casa.

Conforme o Senhor os anuncia, os frutos serão consequência da coerência de vida ou a correspondência entre o exterior e o interior, seja entre a veste que se toma e o coração, seja entre as palavras que se “calçam” na rua e o estilo de bem estar com que se descansa e acolhe em casa.

Na sua homilia de início de ministério episcopal na Diocese de Bragança-Miranda, que hoje se comemora, D. Nuno Almeida afirmou que “Jesus Cristo é a nossa morada, a nossa mesa, vinho, pão, caminho, verdade e vida”. Esta afirmação era refletida no contexto da experiência dos discípulos na barca em alto mar e dentro da tempestade que o Senhor transformaria em bonança (cf. Mc 4,35-41). No contexto do Evangelho de hoje, podemos refleti-la no sentido de que os frutos para os quais o Senhor nos convida a trabalhar não são para arquivar nos silos da fama desta terra, mas como “pontes” lançadas para a vida eterna. D. Nuno acrescenta que “é preciso reunirmo-nos, de muitos modos, para a escuta e para que a Palavra se faça vida e a nossa vida se faça Palavra”, convidando a “partirmos juntos, sinodalmente, à procura dos melhores caminhos, na escuta recíproca e na atenção ao Espírito Santo, na certeza de que o mais importante é olharmos sempre para Aquele caminhante misterioso de Emaús que constantemente nos ilumina o caminho e nos fortalece com a sua presença”… para sermos “uma igreja cada vez mais bela e mais fiel à sua missão”.

O Senhor ensina-nos que os falsos Profetas são os doutores da mentira, que seduzem o povo com falsas aparências de piedade, enquanto, no íntimo, buscam os seus interesses. Este íntimo há de revelar-se mais nas obras do que nas palavras. A comparação da árvore e dos seus frutos é fácil de compreender, e cheia de sabedoria nascida da experiência. A doutrina de Jesus Cristo é princípio de vida, se é perfeitamente acreditada e perfeitamente vivida. Jesus é o Verbo de Deus, a Palavra por quem tudo foi feito; as suas palavras são também agora em nós criadoras e fonte de vida.