navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 At 22, 30: 23, 6-11; Sl 15 (16), 1-2a e 5. 7-8. 9-10. 11 Ev Jo 17, 20-26, na memória de São Bonifácio, bispo e mártir.

Proclamamos, hoje, a terceira parte da Oração sacerdotal de Jesus. Nas duas primeiras partes, Jesus pedia ao Pai uma glória solidária e a unidade na comunhão. Nesta terceira parte, Jesus pede pelos que hão de acreditar n’Ele através da palavra dos seus discípulos. Esta petição de Jesus faz-nos lembrar a expressão usada por João Paulo II para caracterizar o bem que hoje fazemos (no cuidado dos bens essenciais para a vida) a pensar nas gerações vindouras.

Em boa verdade, se estamos nós aqui a celebrar acreditando n’Ele, este facto deve-se à missão dos discípulos de todos os tempos. Aqui vemos a importância de sermos discípulos missionários. No séc. VIII, São Bonifácio partiu para a Alemanha a anunciar a Palavra com grandes resultados, fundando e governando várias comunidades eclesiais, convocando concílios e promulgando leis. Foi assassinado enquanto evangelizava. Numa das suas cartas fala da Igreja “como um grande navio que navega pelo mar deste mundo. Sacudida pelas diversas ondas da adversidade nesta vida, não deve ser abandonada a si mesma, mas tem de ser governada”. Também ele recorda o legado dos seus antepassados como nós recordamos hoje, que no meio de tribulações conduziram a Igreja firmes na fé, confiantes de que o Senhor é o nosso refúgio de geração em geração. Exorta a que “morramos pelas santas leis dos nossos antepassados, a fim de merecermos alcançar com eles a herança eterna”. E acrescenta:

Não sejamos cães mudos, não sejamos sentinelas silenciosas, não sejamos mercenários que fogem do lobo, mas pastores solícitos que velam pelo rebanho de Cristo, pregando toda a doutrina de Deus ao grande e ao pequeno, ao rico e ao pobre, a todas as classes e idades, enquanto Deus nos der forças, oportuna e importunamente, tal como São Gregório escreveu na sua Regra Pastoral.