L 1 At 20, 17-27; Sl 67 (68), 10-11. 20-21 Ev Jo 17, 1-11a, na memória dos Santos mártires Carlos Lwanga e companheiros
Hoje damos início à proclamação da oração sacerdotal de Jesus que, segundo João, acontece no cenáculo dentro da última ceia, após o lava-pés, os anúncios e discursos que Jesus. Depois de Se dirigir aos discípulos, Jesus dirige-se ao Pai num clima de intimidade. Poderíamos dizer que depois da oração comunitária, Jesus passou à Sua oração pessoal. No fundo, podemos considerar a nossa oração pessoal, na intimidade, como oração sacerdotal, se considerarmos o nosso sacerdócio batismal e o seu caráter de louvor e de intercessão.
Jesus glorificou o Pai com a sua vida terrena, completando a missão que o Pai Lhe confiara: dá-l’O a conhecer à humanidade. E no momento em que pede ao Pai que O glorifique, não se esquece dos seus, aqueles que o Pai Lhe deu, que são aqueles que acreditaram n’Ele. A glória que Jesus pede quer que seja partilhada, afirmando querer ser glorificado neles. O Pai glorificou o Filho com a sua morte e ressurreição, e dando-Lhe poder sobre todas as coisas. Ao adivinhar a proximidade da sua partida, Jesus intercede por aqueles que no mundo vão continuar a sua missão, para que Ele os guarde.
Hoje em dia, eles estão representados por tantos homens e mulheres que dão a vida pela fé em Jesus Cristo e pelos valores da sua mensagem, em clima de guerra que, aquém ou além de causas económicas, também tem sabor de perseguição cristã e religiosa.
Na homilia da canonização dos mártires do Uganda, o Papa Paulo VI afirmou:
Estes mártires africanos dão, sem dúvida, início a uma nova era. Oxalá não seja de perseguições e lutas religiosas, mas de renovação cristã e cívica. Com efeito, a África, orvalhada com o sangue destes mártires, que são os primeiros desta nova era (e queira Deus que sejam os últimos – tão grande e precioso é o seu holocausto), a África renasce livre e resgatada. A tragédia que os vitimou é tão inaudita e significativa, que apresenta factores suficientes e claros para a formação moral de um povo novo, para a fundação de uma nova tradição espiritual, para simbolizarem e promoverem a passagem de uma cultura simples e rudimentar (não desprovida de magníficos valores humanos, mas contaminada e enfraquecida, como se fosse escrava de si mesma) a uma civilização aberta às superiores expressões do espírito e às formas mais altas da vida social.
Hoje digo eu: oxalá o que os nossos irmãos e irmãs no Oriente estão a sofrer sirva para que uma nova era possa germinar em favor da paz. Oxalá, diante do que está a acontecer contra a dignidade da vida humana em Gaza, possa acontecer uma maior consciencialização da necessidade da formação moral de um novo povo, em que as armas de guerra dão lugar a instrumentos de trabalho para a saúde, a alimentação, a educação… a paz.
