navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 At 1, 1-11; Sl 46 (47), 2-3. 6-7. 8-9 L 2 Ef 1, 17-23 ou Heb 9, 24-28; 10, 19-23 Ev Lc 24, 46-53, no VII Domingo da Páscoa ─ Ascensão do Senhor, 59º Dia Mundial das Comunicações Sociais

É sugestivo que, segundo o evangelistas Lucas, Jesus tenha subido aos céus em Betânia, distando esta aproximadamente 2 horas a pé de Jerusalém, para onde Jesus mandou os seus discípulos, depois de lhes deixar a última mensagem, os abençoar e os deixar fisicamente. Betânia parece-se, neste episódio, com a base de lançamento de naves espaciais no Cape Canaveral, nos EUA. Porque será que Jesus não subiu aos céus em Jerusalém e escolheu Betânia para este lançamento?

Para respondermos a esta pergunta, pode ser útil pensarmos que era preciso acontecerem dois lançamentos: o de Jesus para a plenitude da glória no céu, glória essa que Ele já possuía com a sua morte e ressurreição; e o dos discípulos para uma nova fase do seguimento: a missão de ser testemunhas dos factos acontecidos com o patrocínio do Espírito Santo.

Como em Cape Canaveral encontramos vários complexos ou bases de lançamento, também no mistério da Ascensão temos duas bases de lançamento: Betânia para o lançamento de Jesus para a glória plena do Pai e Jerusalém para o envio dos discípulos em missão. O lançamento de Jesus realizou-se com a mensagem, bênção sobre os discípulos, envio e subida ao céu; o lançamento dos discípulos implicou, por algum tempo, permanecer naquela cidade com oração e alegria.

Havia uma mensagem a conservar e uma prática a difundir: a mensagem era a de que Jesus sofreu/morreu e ressuscitou dos mortos; e a prática a difundir era o arrependimento e o perdão dos pecados. É esta mensagem e esta prática que edifica o corpo místico que é a Igreja, de que Cristo é cabeça. E o consórcio do Espírito Santo permite que esta mensagem e prática chegue à humanidade inteira. Portanto, era preciso que os discípulos não deixassem perder esta mensagem e prática, para o que tiveram que se unir uns aos outros, permanecendo perto do templo.

Uma coisa muito importante, que é específica do pensamento do evangelista Lucas, é que “a vinda do Espírito condensa, concretiza e expande toda a verdade de Cristo; para que o seu caminho possa ser o nosso caminho, necessitamos de receber a sua mesma força; Jesus, subindo ao Pai, deu-no-la”. E esta dádiva não é para ficar fechada dentro de quatro paredes, mas é para a Igreja a levar ao mundo inteiro. Na Ascensão nasce, pela primeira vez, a tal “Igreja em saída” de que Papa Francisco tantas vezes falou, também “casa comum” com portas abertas para toda a humanidade.

O aspeto que considero mais interessante na Mensagem do Santo Padre o Papa Francisco para o 59º Dia Mundial das Comunicações Sociais é o de que “precisamos de nos curar da “doença” do protagonismo e da autorreferencialidade, evitar o risco de falarmos de nós mesmos: o bom comunicador faz com que quem ouve, lê ou vê se torne participante, esteja próximo, possa encontrar o melhor de si e entrar com estas atitudes nas histórias contadas”. Esta provocação sugere que os protagonistas da comunicação não sejam meramente os jornalistas, por razões vocacionais ou profissionais, mas todos e em especial os destinatários, cujas vidas têm muitas coisas boas a manifestar como “centelhas de bem” para a paz no mundo. Podem essas centelhas não ser tão lucrativas, mas mais eficientes para o bem comum da paz.

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