navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 At 18, 9-18; Sl 46 (47), 2-3. 4-5. 6-7 Ev Jo 16, 20-23a

A liturgia que estamos a viver volta a fazer-nos experimentar o sabor escatológico do mistério da salvação na vida humana, pelas diferenças de calendário a respeito da Ascensão do Senhor, com o “antes” e “depois da Ascensão” das orações do presidente da celebração, e a liturgia entre a Ascensão e o Pentecostes. Parece-nos que o “já” e o “ainda não” da mensagem cristã põem em comum a promessa divina e o seu cumprimento a respeito do ser humano.

Jesus quer ajudar a compreender aos seus discípulos que a sua Paixão se vai prolongar neles, mas a sua Ressurreição irá ser, desde já, fonte de esperança, uma vez que também ela está prometida, para além da paixão e morte de cruz.

Na sua mensagem para a Quaresma, o Papa Francisco, após os apelos a caminhar e a ser sinodais, fez-nos um terceiro apelo à conversão, que é “o da esperança, da confiança em Deus e na sua grande promessa, a vida eterna”, apelo este que “impele a um compromisso com a justiça, a fraternidade e o cuidado da casa comum”.

As palavras de Jesus têm o tom de consolação para com os seus discípulos, prometendo-lhes que a sua tristeza se transformará em alegria. Jesus garante-nos que vale a pena confiarmos na sua alegria e a sua paz como duradoiras, superando qualquer sofrimento. Vale a pena perseverar no meio das tribulações.

E o modelo que Jesus nos apresenta de que vale a pena é o das mães que sentem angústia até darem à luz os seus filhos; e que após o parto já não se lembram mais do sofrimento por que passaram. Assim também é a esperança cristã que não desilude: promete-nos a alegria do nascimento definitivo para a vida eterna que aqui na terra já começamos a vislumbrar na confiança e na perseverança. E esta alegria nada nem ninguém nos poderá roubar.

Como na missão do Apóstolo Paulo, o “já” e o “ainda não” ou a confiança e a perseverança, são vividos com criatividade: ele esteve em Atenas, onde reparou que o orgulho da ciência não ajudava muito a acolher a novidade da mensagem cristã. Virado para Corinto, percebeu que o Senhor o convidava a confiar n’Ele e na humildade do povo. Por vezes, o orgulho não é só dos que sabem muita ciência, mas também muito dos que sabem “de religião”. Galião era mais favorável a Paulo do que os judeus e a sua advertência ajudou a compreender que a pregação de Paulo não era questão de tribunal.

Já pensámos que, na sua missão de ensinar, os cristãos, por vezes, têm mais dificuldade com quem pensa que já sabe tudo e que o que sabe basta do ponto de vista da religião, do que aqueles que diretamente não têm nada a ver com isso? Então, somos convidados a testemunhar a Boa Nova, a propósito e a despropósito, pois terão um alcance que só Deus é que sabe, porquanto a sua Palavra está “grávida” de frutos de vida eterna.