navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 At 13, 13-25; Sl 88 (89), 2-3. 21-22. 25 e 27 Ev Jo 13, 16-20

Recorda Manuel António Pina ─ apresentado por este blogger como extraordinário poeta português e um dos melhores cronistas do quotidiano, para além de jornalista, a quem foi atribuído o Prémio Camões em 2011:

Às vezes, assistindo ao telejornal, pergunto-me sobre quantos presidentes por metro quadrado haverá no País (nos telejornais aparecem habitualmente quatro ou cinco por notícia quadrada…)… Nas paredes de escolas e liceus do antigamente avultava um sensato e presidencial conselho de Salazar: “Se soubesses o que custa mandar, preferias obedecer toda a vida”. Surpreende por isso o espírito de sacrifício de tantos portugueses hoje dispostos a carregar o fardo de mandar…

O que se queria dizer é que se foram multiplicando os pequenos ditadores, que metem palavras democráticas nos seus discursos.

Aos seus discípulos, Jesus admoestava a não seguir os mesmos esquemas do mundo, mas a apostar toda a sua vida no serviço, não aspirando a grandezas de título. A lição de hoje conecta-se com o lava-pés, o que nos leva a crer que Jesus aproveita a mesma água para avivar a memória dos males que a Escritura adverte e cingir o coração da ambição do poder. Ele conhece os que escolheu, pode acontecer o esquecimento de que Ele é maior do que qualquer servo ou enviado.

O Papa Leão XIV, na sua primeira audiência de quarta-feira, dirigindo-se aos responsáveis políticos para que abandonem as armas e se sentem à mesa das negociações. E afirmou ao Dicastério para as Igrejas Orientais, agradecendo o seu trabalho e pedindo-lhe que o ajude a definir princípios, normas e diretrizes para se apoiarem os católicos orientais da diáspora:

Quão importante é redescobrir, também no Ocidente cristão, o sentido do primado de Deus, o valor da mistagogia, da intercessão incessante, da penitência, do jejum, do choro pelos próprios pecados e por toda a humanidade (penthos), tão típicos da espiritualidade oriental! Por isso, é fundamental guardar as vossas tradições sem as diluir, talvez por praticidade e comodidade, para que não sejam corrompidas por um espírito consumista e utilitarista.

Para que as guerras acabem, é preciso um mais claro conhecimento de Jesus e de como Ele agiu e agiria no hoje da salvação. “Não é o apelo do Papa, mas de Cristo que diz: Paz a vós”. O Papa desejou que os Sínodos dos Bispos das Igrejas Orientais sejam “lugares de colegialidade e de autêntica corresponsabilidade”, pedindo “transparência na gestão dos bens” e “testemunho de dedicação humilde e total ao santo povo de Deus, sem apegos às honras, aos poderes do mundo e à própria imagem”. Só assim será possível semear a paz que permite olhar para os outros como seres humanos, pessoas com quem falar.