navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Cl 3, 14-15.17.23-24; Sl 89 (90), 2.3-4.12-13. 14 e 16 Ev Mt 13, 54-58

Uma vez um padre contou-me que, quando jovem, foi fazer uma pregação deslocando-se de mota (daquelas “Zundapp”). Chegando à igreja, um padre mais idoso, brincando com ele, perguntou-lhe “é com essa mota que pensas fazer-te ouvir pelas pessoas?”. O novato não entendeu bem onde ele queria chegar. O mais velho elucidou-o: “não te vão ouvir bem. Outra coisa seria que chegasses num bom carro; só com o bater da porta do carro tinhas a atenção dos participantes ganha”.

Esta anedota verídica é uma réplica da apresentação oficial de Jesus em Nazaré que, aparentemente, foi um fracasso. As palavras e os gestos que Jesus fazia eram estranhos e a familiaridade com os seus parecia não ser um terreno fértil para o anúncio do Reino de Deus.

A familiaridade pode ser um veículo para a inculturação da fé e para a evangelização da cultura? Sim. Mas nem sempre é fácil.

Mas conforme hoje em dia pode haver réplicas caricaturais daquele mau acolhimento e reconhecimento, também poderá haver réplicas de uma entrega desabnegada e subtil, que justifique a sabedoria de Deus, esta justificada pelas suas obras. Ontem dizia, a respeito da esperança, que Deus poderia fazer “omeletes sem ovos”. Hoje, a respeito da fé em Jesus, que Ele poderá a partir de nós realizar a sua missão a partir de um aparente insucesso.

Como diz o Apóstolo, o vínculo da perfeição é a caridade, a partir da paz de Cristo em nossos corações e vivendo em constante ação de graças. Portanto, não a partir do lucro ou do mero sucesso aparente das nossas atividades. O discípulo-missionário faz o que deve ser feito e não meramente o que combina com o gosto das pessoas ou o que diverte. “A sabedoria de Deus foi justificada pelas suas obras” (Mt 11,19b).

Que o Dia do Trabalhador seja um dia com descanso, mas também uma oportunidade para redimensionarmos o nosso trabalho quotidiano, apoiando-o na dignificação do ser humano e não tanto no economicismo que impede de nos relacionarmos com o nosso Criador. Vivamos como rezamos na oração Coleta:

Deus, criador de todas as coisas,
que estabelecestes a lei do trabalho para todos os homens,
concedei-nos que, a exemplo de são José e com a sua proteção,
realizemos a obra que nos mandais
e recebamos o prémio que nos prometeis.