L 1 Ez 47, 1-9. 12; Sl 45 (46), 2-3. 5-6. 8-9 Ev Jo 5, 1-3a. 5-16
O evangelista João gosta muito de referenciar a ida, presença e sinais de Jesus em Jerusalém. Desta vez pelo motivo da Páscoa ou dos tabernáculos. Na verdade, Jerusalém é símbolo da vocação cristã adulta, do assumir o propósito da vida, alternativa à regressão que está representada à fuga para Emaús no caso dos discípulos.
Na cena relatada hoje, temos um local que arqueologicamente parece estar correto, a noroeste de Jerusalém, e a referência a um homem que há 38 anos parecia esperar uma oportunidade de cura, na competição pela agitação das águas.
Quanto ao número de anos, os biblistas apontam para o que se lê em Dt 2,14: os 38 anos que o Povo viveu no deserto, acrescentados a dois anos de castigo, somados nos 40 anos de deserto (prefiguração do tempo da quaresma e, em grande escala, a vida terrena). O homem paralítico na piscina simbolizaria o povo de Israel que depois da sua longa peregrinação encontra em Jesus o seu Salvador, que o introduziria na terra da promessa. Após 38 anos de esperança “desesperada” tinha chegado ao cumprimento da promessa.
Mas este povo não chega à fé por iniciativa própria: é Jesus que toma a iniciativa de ir ao encontro daquele homem. Porquê? Porque Jesus sabe que ele esteve ali junto a uma fonte que não era verdadeira, mas tentação para o perigo de aceder à superstição. Consta que nas imediações da piscina havia um templo ao deus da medicina, Esculápio. Jesus quer livrá-lo da contínua tentação de querer mergulhar nas águas do deus Esculápio. Está diante daquele paralítico Aquele que é maior que o Anjo do Antigo Testamento (ver primeira leitura), quanto mais ainda maior do que o deus da medicina.
Como “trabalho de casa” desta liturgia, podemos reler a primeira leitura substituindo a palavra água pela expressão Palavra do Senhor. De facto, não há água mais salubre que a Palavra de Deus que é Jesus.
