L 1 2Rs 5, 1-15a; Sl 41 (42), 2-3; 42, 3. 4 Ev Lc 4, 24-30
O título maior que alguém pode receber à face da terra é o de filho de Deus. E este título está à disposição de todos os homens e mulheres do mundo inteiro. Pelo Batismo. Este Sacramento pode possibilitar que todo o ser humano, por Cristo, tenha acesso à vida eterna. Ritualmente parece ser muito simples, mas implica um caminho de crescimento que acontece em nós quando seguimos Jesus e se torna patente quando realizamos a missão que Ele tem para cada um de nós.
É o que nos mostra a primeira leitura. O sírio Naamã encontrara-se leproso e foi por intermédio de uma menina síria que ele descobriu que poderia ir ao encontro do profeta Eliseu. Como diz a leitura, confiando na menina e com autorização do rei da Síria, Naamã “pôs-se a caminho”. Mas como vemos na sua aventura, o caminho tem as suas dificuldades. Há dificuldades que são externas: o rei da Síria que o acolheu à primeira não lhe quis facilitar o acesso ao profeta. Mas também há dificuldades internas: o profeta Eliseu mandou Naamã fazer um ritual que aparentemente lhe parecia fácil demais para ficar curado, de modo que ele quereria fazer algo mais extraordinário, como um toque especial do profeta.
Por vezes, no nosso caminho batismal também acontece assim: encontramos dificuldades interiores ou exteriores que, por defeito (de presença) ou por excesso (de intimidade), nos impedem de percorrer o caminho que nos leva até Cristo e a partir de Cristo, na missão da Igreja.
Este episódio do Antigo Testamento e o que diz respeito a Elias e à viúva de Sarepta foram evocados por Jesus num episódio delicado da sua missão: quando Ele foi à sua terra e percebeu que os seus conterrâneos não O levaram a sério. Talvez por confiança a mais, não O queriam ali muito presente. Porque será? Certamente porque o contacto com Jesus transforma as vidas humanas para melhor. Muitas vezes, as suas propostas incomodam e levam a uma mudança radical. E porque nós costumamos agarrar-nos às nossas seguranças pessoais, custa-nos aguentar o que Ele nos pede e sugere, tendo em vista a vida nova que Ele vive e propõe, para que tenhamos vida em abundância.
É por isso que Jesus está a ser “expulso” de muitos lugares e cidades. E até de muitos corações. É porque Ele favorece uma mudança significativa. Ele é “porta” para uma existência plena e não “muro” que possa obstruir a nossa felicidade.
