navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 Dt 30, 15-20; Sl 1, 1-2. 3. 4 e 6 Ev Lc 9, 22-25

As duas afirmações de Jesus neste Evangelho, nas quais está descrito todo o seu mistério pascal, são:

O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.

e

Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me…

Significam um convite a sermos mais semelhantes a Jesus. É este o objetivo da quaresma: sermos mais semelhantes a Jesus. E evitarmos imitar os que que lhe causaram mal e ao seu projeto do anúncio do Reino de Deus.

Por isso, tomar a própria cruz é renunciar aos pensamentos, aos desejos e às ações que maltratam a relação com Deus, a relação connosco próprios, a relação com os outros e a relação com a criação.

A tabela de controle é sempre o mandamento novo do amor, que exorta a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Mt 22,37-39).

Há tantos acontecimentos maus no mundo apoiados em argumentos religiosos por parte de quem não quer perder a vida, nem a superioridade, nem a fama, seja a que preço for. Ao invés, Jesus garante que a verdadeira vida está em perdê-la por amor a Cristo. Ganhar o mundo inteiro não vale a pena se perdermos a nossa alma. Somos chamados a estar dispostos a renunciar a tudo por Jesus e pelo seu Reino de justiça e de paz.

Na Quaresma, Cristo aproxima-se silenciosamente dos nossos corações, como um amigo íntimo que conhece os nossos “quintais” interiores. Os seus sinais manifestam-se nos pequenos gestos de conversão, nas renúncias e no despertar de uma consciência mais profunda da nossa humanidade. Como roupas estendidas ao sol para clarear, as nossas almas purificam-se nestes quarenta dias de espera e preparação.

Betânia Ribeiro (RMOP)