L 1 Sir 5, 1-10 (gr. 1-8); Sl 1, 1-2. 3. 4 e 6 Ev Mc 9, 41-50
Ontem Jesus instituía uma clausula magisterial a favor de “Quem não é contra nós”. Hoje assoma-lhe a clausula “Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo”. Estes estão dentro do seu projeto e também podem ser considerados os “pequeninos” pelo Mestre. Por isso, convida os seus discípulos a “cortarem” em si e na sua conduta tudo o que os pode escandalizar. Sim, os que andam mais “perto” de Jesus podem escandalizar os que parecem estar mais “distantes”. Jesus não anda com uma fita métrica no bolso. Para Ele, é muito importante estar atentos aos que parecem estar a -1 abaixo do nível da água ou «1 a nível do nível do fogo. Não é só uma questão de estarmos próximos ou longe d’Ele, é uma questão de considerarmos que Ele Se faz próximo de todos.
Na comunidade de Marcos terá acontecido como nas comunidades paulinas: vivia-se o confronto dramático entre os que eram considerados os “fortes” e os que eram considerados “débeis” na fé (o que hoje consideraríamos o debate entre os progressistas e os tradicionalistas, entre os que não têm medo de se aventurar e dos que têm medo em sair das próprias seguranças). E os pastores, apoiados nas palavras de Jesus, deixam conselhos a uns e a outros.
O segredo de uma boa relação será sempre deixar-se ser “salgados com o fogo”, ter sal em nós mesmos, para que não nos falte o “sabor”, quer dizer, o equilíbrio ou tempero, para que sejamos capazes de “viver em paz”. Aproveitemos o tempo de adoração diante do Santíssimo para nos deixarmos “salgar com o fogo” do seu Espírito Santo. É só Ele que é a fonte da sabedoria capaz de nos libertar dos instintos com que, por vezes, tentamos satisfazer as paixões do coração. A primeira leitura tem sabor a convite para adentrarmos na Quaresma que se aproxima com espírito humilde.
