navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 Gn 2, 18-25; Sl 127 (128), 1-2. 3. 4-5 Ev Mc 7, 24-30

Como anunciar os frutos da palavra de Jesus para além das fronteiras da Igreja? Nas nossas comunidades, dioceses, paróquias, movimentos, já sinais positivos: a Missão País, etc., a Rádio (de que hoje se comemora o Dia Mundial), e, em particular, pessoas concretas a partir das suas vocações e profissões.

O Evangelho de hoje, a partir de uma das mais comoventes narrações, convida-nos a contemplar a atitude de Jesus diante da situação daquela mulher estrangeira, atitude que fez com que se anunciassem os frutos da Sua palavra para além das fronteiras de Israel. Esta narração, que é uma revelação, mostra-nos que o Filho de Deus veio para todos os povos do mundo. E aquela mulher dá-nos o exemplo de uma oração confiante, tão humilde e tão insistente, a sua fé, que tanto tocou o coração de Jesus, a ponto de Ele lhe elogiar essa sua fé e logo lhe conceder o que pedia.

Esta mulher pôde experimentar o que o Santo Padre lembra no n.º 2 da Bula de Proclamação do Jubileu, citando a carta aos Romanos:

Uma vez que fomos justificados pela fé, estamos em paz com Deus por Nosso Senhor Jesus Cristo. Por Ele tivemos acesso, na fé, a esta graça na qual nos encontramos firmemente e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus (…). Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5, 1-2.5).

E no n.º 5, a respeito da peregrinação, refere:

Deslocar-se dum país ao outro como se as fronteiras estivessem superadas, passar duma cidade a outra contemplando a criação e as obras de arte, permitirá acumular experiências e culturas diferentes e levar dentro de si, harmonizada pela oração, a beleza que faz agradecer a Deus as maravilhas que Ele realizou.

Aquela mulher é, também, modelo de quem se atreve a movimentar-se, para esperar n’Aquele que a pode apoiar e ajudar a superar a sua tribulação. Aquela mulher rezou e confiou de maneira a transbordar de esperança

para testemunhar de modo credível e atraente a fé e o amor que trazemos no coração; para que a fé seja jubilosa, a caridade entusiasta; para que cada um seja capaz de oferecer ao menos um sorriso, um gesto de amizade, um olhar fraterno, uma escuta sincera, um serviço gratuito, sabendo que, no Espírito de Jesus, isso pode tornar-se uma semente fecunda de esperança para quem o recebe. Mas qual é o fundamento da nossa esperança? Para o compreender, é bom deter-nos nas razões da nossa esperança. (n. 18)

Aproveitemos a adoração da tarde para colocarmos diante de Jesus, quer o fundamento da nossa esperança, que não há de ser só a lista dos nossos anseios, mas também as razões que nos fazem acreditar que só n’Ele podemos encontrar o sentido da nossa entrega radical.

O Génesis mostra-nos, hoje, a superação da solidão do homem através do acolhimento e da nomeação da mulher, que juntamente farão a sua experiência vocacional. Para quem se quer livremente entregar a Jesus pela vivência do celibato, a exclamação a declamar é sobre a Igreja, Corpo de Cristo que somos chamados a cuidar a partir de uma configuração especial com Ele. O consagrado no celibato não dá nome, mas é expropriado e chamado, ele mesmo recebe um nome novo, a partir, não de um título (padre, etc.), mas um estado de vida que lhe consubstancia a existência toda para estar ao serviço dos outros.