L 1 Is 6, 1-2a. 3-8; Sl 137 (138), 1-2a. 2bc-3. 4-5. 7c-8 L 2 1Cor 15, 1-11 ou 1Cor 15, 3-8. 11 Ev Lc 5, 1-11 ─ V Domingo do Tempo Comum (C) e Dia Mundial do Casamento ou do Matrimónio
Hoje comemora-se o Dia Mundial do Casamento ou do Matrimónio, celebrado todos os anos no 2º domingo de fevereiro. É um dia de homenagem aos cônjuges e ao casamento como meio de fundação de uma família e de união da sociedade. Celebra tudo o que está envolvido com a união matrimonial. É curioso, a este respeito, que o Evangelho evoque a necessidade de dois barcos ─ como no matrimónio duas vidas ─ para se conseguir não deitar a perder pesca tão abundante provocada pela graça de Jesus! O matrimónio é uma graça abundante que enche ambos os barcos, ambas as vidas, numa direção comum, num projeto comum.
A vocação batismal “espraia-se” em várias formas específicas de viver o amor oblativo. A vocação matrimonial como as vocações de “especial” consagração, é também uma forma de responder ao convite de Jesus “faz-te ao largo” para a pesca de seres humanos. Ele fá-lo a Pedro, como hoje o faz também a um matrimónio, uma mulher e um homem que se unem para gerar, educar e orientar a sua prelo para a vida.
Toda a vocação cristã, assumida de forma adulta, implica passar da consciência da própria fragilidade (como Isaías, como Pedro) ao assumir dos dons da graça divina, fazendo um ato de fé diante do próprio equívoco de fundo. Não temer é o princípio sugerido por Cristo a Pedro e a todos os seres humano no ato de crer.
De modo que o que faz ato um apóstolo não são as próprias capacidades, mas o fazer a vontade de Deus. Não se trata de saber tudo, mas de aprender a aprender. Discernindo e agindo com docilidade.
O que talvez ponha alguns/muitos matrimónios e vocações de especial consagração em crise é que se tende a propor aos jovens em busca da própria felicidade propostas já pré-fabricadas de ser matrimónio, ser padre ou ser religioso. Estas vocações de “fabrico em série” fazem ter medo e não ter medo é, também, resolver as causas do medo. Toda a vocação cristã aceita e convive bem com as diferenças e não se resume a programar robôs, mas pessoas livres que fazem da sua vida uma resposta contínua e progressiva à boa nova que informa e forma na missão. (A respeito de vocações-fotocópia, leia-se este artigo de opinião, que ajuda a refletir o perigo de vidas endereçadas ao abuso de poder.)
A vocação cristã, e concretamente, as vocações específicas, são sempre caminhos de conversão pessoal, porquanto a graça do chamamento de Deus é uma manifestação tão grande de amor que o sujeito chamado há de contemplar sempre uma disparidade muito grande entre esse chamamento e a sua situação pessoal. Como aconteceu com Isaías, Pedro e tantos homens e mulheres da história. A culpa que o ser humano sente ao dar-se conte de tamanha graça é oportunidade para se experimentar a maneira cristã para se viver a culpa: o próprio do cristão é viver a sua experiência de culpa diante de um Deus que é amor e só amor. O crente reconhece que foi infiel a esse amor. Isto dá à sua culpa um peso e uma seriedade absolutos. Mas ao mesmo tempo liberta-o do afundamento, pois sabe que, mesmo sendo pecador, é aceite por Deus: nele pode sempre encontrar a misericórdia que salva de toda a indignidade e fracasso.
Da aceitação da graça de Deus decorre um caminho de conversão que é ao mesmo tempo um caminho de missão. Um e outro não são dois caminhos, mas um só: resposta ao amor misericordioso de Deus que cura e restitui à vida, em Cristo.

