Esta Festa é verdadeiramente uma ligação da celebração do Natal com a celebração da Páscoa, no meio da “ponte” que é um pedaço do tempo comum. Ajuda-nos a olhar para onde vimos e para onde vamos, em relação com o Horizonte que nos criou e redime. Ainda bem que, de vez em quando, como acontece este ano, esta Festa é celebrada ao Domingo, para todos podermos contemplar o mistério que está nesta apresentação do Menino Jesus no templo.
Esta festa é mais uma das “epifanias”, quer dizer, manifestações da presença do Deus-connosco ao seu Povo, a juntar à Epifania aos Magos, o Batismo no Jordão e as Bodas de Caná. Desde já, a oração Colecta nos surpreende, porque nos declara que Jesus manifesta-Se na nossa humanidade, ao que suplicamos que diante de Deus possamos manifestar-nos nós com a nossa alma purificada. Há aqui como que uma permuta de dons: nós oferecemos a Jesus um corpo e Ele oferece-nos o seu Espírito Santo.
O Povo de Deus é constituído por aqueles que são Peregrinos de Esperança, a caminho da terra prometida. E a “esperança que não desilude” é o próprio Jesus Cristo que vem ao encontro da humanidade em cada etapa da sua história. Portanto a Apresentação de Jesus no templo é a festa do encontro: a novidade do Menino encontra a tradição do templo; a promessa encontra o seu cumprimento; Maria e José, jovens, encontram os idosos Simeão e Ana. Enfim, quando chega Jesus não há lugar para a separação e a indiferença. Há que repararmos que Simeão e Ana não são sacerdotes, mas idosos que representam todos os que esperavam Jesus como o Antigo Testamento O apresenta, como está latente na profecia de Malaquias. Nesta profecia, há uma voz de Deus a convidar à esperança um povo que andava desanimado, por causa da perversidade que se vivia à volta do templo de Jerusalém. O profeta anuncia Alguém que virá para purificar e reencaminhar o Povo. E a carta aos Hebreus anuncia um sacerdote novo que não virá para estar separado do povo, mas para o ajudar deste a sua proximidade e semelhança.
O Senhor vai, quando adulto, apresentar-Se como o verdadeiro Templo (cf. Jo 2,19-21). Agora é o Templo que vai ser apresentado ao templo. Em muitas curas, Jesus costumava pedir que a pessoa curada fosse apresentar-se aos sacerdotes do templo. Significa que o Templo verdadeiro tem “pernas”, é nómada. Isto reflete que a Igreja que Jesus convocou para o Reino de Deus é renovável, não sedentária. Por isso é que o Papa Francisco pede à Igreja de hoje que não seja uma Igreja acomodada e desistente, mas uma Igreja de pé, que acolhe o grito e que suja as mãos para servir. Ele diz que “uma Igreja sentada é uma Igreja estagnada, incapaz de enxergar o Senhor em seu meio e de responder aos apelos do mundo”.
Nestes dois idosos, Simeão e Ana, estão duas motivações que nos podem ajudar a não desistir de avançar, “esperançando”, quer dizer, vivendo uma esperança ativa:
1) Com Simeão aprendemos a olhar para a luz que é Cristo e a querê-l’O só a Ele, não temendo a morte, que não é o contrário da vida, mas uma passagem, porque a vida só se pode realizar na ressurreição. Simeão é um daqueles que não quer a salvação só para si, mas para todas as nações. Com ele aprendemos a viver uma vocação cristã universalista.
2) Com Ana aprendemos a viver o nosso estado de vida na ótica do serviço. Ela rezava e jejuava à volta do templo. Ela simboliza tantas pessoas humildes que estão nas imediações dos edifícios das nossas igrejas com uma tarefa muito simples, sem complicações.
No dia 2 de fevereiro é, também, celebrado o Dia Mundial da Vida Consagrada. O Presidente da Conferência de Institutos Religiosos de Portugal, Padre Adelino Ascenso, convida os consagrados a “ser portas abertas” e ter “corações escancarados e disponíveis para ir ao encontro dos mais desprotegidos”: “Os presos, os migrantes, os doentes, os pobres, os idosos, os jovens”. “Precisamos de nos educar para uma disponibilidade desarmada. Sem perder a capacidade de nos deixarmos surpreender pelo Espírito, que tanto nos pode interpelar através dos católicos, ou dos cristãos, dos crentes de outras religiões, como dos não-crentes ou dos indiferentes”. O Sr. D. António Luciano, Bispo de Viseu, afirma que “a beleza da vida consagrada está no compromisso e no testemunho” e “ela é um sinal profético do Reino de Deus”, lembrando que “a vida consagrada não é uma honra mas uma missão”.
