L 1 Heb 10, 19-25; Sl 23 (24), 1-2. 3-4ab. 5-6 Ev Mc 4, 21-25
Ontem ouvimos Jesus falar da Palavra como a semente. Hoje Ele apresenta-a como uma “lâmpada” que não deve ser escondida, mas cuja luz deve ser difundida para proveito de todos. É preciso difundir a mensagem de Jesus de mãos largas, que isso aproveitará para quem a recebe e para quem a transmite.
Ontem tive a oportunidade de estar com uma centena de padres das dioceses do centro, divididos em dois ateliês, sobre o tema “O ministério do presbítero em contextos de mudança”. A respeito da formação, antes da conversação do Espírito que lhes propus que fizessem, deixei-lhes a provocação de que não podemos pensar mais a perfeição cristã só para quem vive uma consagração especial. É preciso aprender a deixar-se formar e a formar juntamente com os leigos e as famílias. O “fosso” que existe entre as nossas instituições formativas e as famílias é proporcional ao “fosso” que existe entre a vivência do ministério ordenado e os outros ministérios batismais. A vida quotidiana e a celebração do sacramentos são separados por um limiar que precisa de ser mais habitado por todos: o da catequese, da formação, da conversação no Espírito, do diálogo, do acompanhamento das consciências, etc., tantas asa modalidades quanta a necessidade de caminhar na fé em comunidade. É daqui que decorre a celebração dos sacramentos, tendo em vista a caridade. A vida pública de Jesus foi isso: ensino e cura.
Para todos conseguirmos, juntos, ser mensageiros, somos convidados pelo autor da carta aos hebreus a aproximarmo-nos “de coração sincero, na plenitude da fé, tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado na água pura”; “velemos uns pelos outros, para nos estimularmos à caridade e às boas obras, sem abandonarmos a nossa assembleia”; “exortando-nos mutuamente”. O caminho novo está aberto a todos e entramos nele com confiança na obra que Ele realizou pelo seu sangue.
Que a palavra limpe as feridas,
seja bastão seguro para algumas pernas fracas,
lente para aqueles olhos
a que a névoa tira a vista,
altifalante de gargantas sem sino,
lenço dessas lágrimas
que não esperam chegar ao mar,
e colher que não hesita
diante de bocas fechadas
que se negam para a vida.
E que o homem que leve às costas
a mochila com as lentes e bastões,
altifalantes, lenços e colheres,
de seus silêncios faça
escola de segredos
e trono de humildade.─ Francisco Caro (in Paulo Costa)
