L 1 Heb 3, 7-14; Sl 94 (95) (95), 6-7. 8-9. 10-11 Ev Mc 1, 40-45
Com a sua atitude diante do homem leproso, Jesus faz objeção de consciência a leis civis e religiosas injustas. Sente compaixão (atitude do coração) para com aquele doente; e indignação (atitude de uma mente esclarecida) para com aquelas leis. Este deve ter sido um episódio de muitos, em que Jesus costumava estar perto e tocar aqueles que sofriam de doenças incuráveis marginalizantes, como a lepra daquele tempo, como hoje, uma doença negligenciada.
Santa Teresa de Calcutá dizia que “quem estiver de costas voltadas para o irmão que sofre, está também voltado de costas para Cristo”. Ela ajuda-nos a cantar o salmo 94: “Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações”. Quantas vezes ouvimos ou rezamos este refrão a pensar numa voz sentimental, etérea, a chamar-nos do passado ou do futuro, comprometendo a fecundidade do presente a um estado delirante que congela os nossos membros, tornando-os incapazes de tocar a realidade dos outros?
O serviço de cuidado para com os seres humanos está acima de publicidades civis demagógicas ou apologéticas anti-evangélicas que não favorecem o encontro que cura. O único encontro que interessa, porque fala de vida e ajuda a desejar a vida em todas as dimensões. É, sem equívocos, todo aquele encontro onde se junta um procedimento físico, psicológico ou espiritual (curativo, dar de comer, companhia, etc.) e uma vontade amorosa que demonstra aquele “quero que tu vivas”. Pode exercê-lo um profissional de saúde, um agente pastoral, um amigo ou vizinho, um familiar ou, até, um desconhecido ou estrangeiro.
Não nos fechemos, pois, em fragmentos ideológicos que desmembram o corpo formado por todos os seres humanos.

É com procedimentos de corações compassivos e com uma consonância de mentalidades esclarecidas que o improvável acontece: a rede que aprisiona e marginaliza transforma-se numa corrente de solidariedade, restituindo ao ser humano os laços da fraternidade que faziam falta.
