navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 Is 42, 1-4. 6-7; Sl 28 (29), 1-2. 3ac-4. 3b e 9b-10 L 2 At 10, 34-38 Ev Lc 3, 15-16. 21-22, na Festa do Batismo do Senhor

Com a celebração da Festa do Batismo do Senhor não só estamos a terminar as celebrações do Natal, mas também estamos no meio do epicentro das três epifanias celebradas com mais ênfase pelos nossos irmãos ortodoxos: são estas epifanias (1) a manifestação aos Magos, (2) o Batismo de Jesus no Jordão e (3) o milagre das Bodas de Caná (que proclamaremos no próximo domingo (2º do tempo comum). Com estes três relatos do Evangelho, o tempo comum tece-se entrelaça-se com o tempo de Natal.

Naquelas águas do Jordão há um encontro extraordinário entre (1) o povo que vivia na expetativa do Messias, (2) e Deus-Amor. Aquele povo representado/encaminhado pelo Batista e Deus humanado na pessoa do seu Filho Unigénito. Por momentos, o Povo ainda terá pensado se João não seria o Messias, mas o próprio Precursor sabia e manifestou-se humilde, para que o Altíssimo se pudesse fazer a manifestação definitiva em Jesus. João batizava na água, mas viria Aquele que nos batizaria no Espírito Santo e no fogo.

No entanto, Jesus deixa-se banhar naquelas águas poluídas pelos pecados da humanidade, para no abrir a verdadeira fonte da salvação. Ele tomou sobre si os limites de cada ser humano para poder curar cada um. A vinda de Jesus encerra a antiga Aliança, abrindo as portas à nova. E esta nova Aliança é a de um abraço incondicional e infinito sobre Jesus e, n’Ele, a cada ser humano. Poderemos esperar algo mais extraordinário do que este abraço?

Doravante, através da vida cristã, o Batismo ganha um novo sentido: não serve meramente para a purificação dos pecados, mas para podermos ser acolhidos na Família de Deus como filhos. E como filhos, temos a missão de continuar a obra de Jesus, de levar a Palavra de Deus ao mundo, em especial, naqueles lugares, relações ou situações onde a paz do céu parece fechada.

O Batismo é a básica e fundamental consagração cristã, que nos faz estar diante deste céu como que debaixo de um constante abraço (e não sob um contínuo escrutínio, como teimam em nos fazer crer aqueles que antepõem o nosso mérito à graça de Deus!). Em Jesus, Deus ama-nos antes que o possamos pensar e responder, sem cláusulas, nem condições. Que cada um de nós seja amado por Deus não depende de nós, mas d’Ele, do seu amor desproporcional e incondicional.