navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 1Jo 4, 7-10; Sl 71 (72), 2. 3-4ab. 7-8 Ev Mc 6, 34-44, na Terça-feira depois da Epifania

No Evangelho de hoje contemplamos uma situação vivida por uma grande multidão e o cruzamento/entrelaçamento de duas atitudes diante desta mesma multidão:

1) A de Jesus, manifestando-Se como um servidor, através da conjugação dos verbos compadecer-se, ensinar, responder, perguntar, ordenar, tomar, partir, repartir.

2) Os discípulos crescem na obediência ao Mestre, desde um calculismo economicista até ao acolhimento e partilha da abundância da graça.

Depois de reler este Evangelho, que nos relata um episódio ou um dia na vida pública de Jesus, fui reler o índice ou estrutura do documento final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos “Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. É como se estivesse a percorrer os passos deste Evangelho de hoje! Sim, na sua renovação continua, a Igreja reassume o Evangelho de Jesus nos contextos atuais aos quais Ele, Palavra viva, tem um ensino e uma resposta terapêutica a dar.

Conforme o que se recebe de graça só se pode dar de graça, também só conheceremos Deus como Ele é se amarmos como Ele ama. Conforme aprendemos com este recente Sínodo, a conversão das relações implica a conversão de processos, da qual deriva, também, a conversão dos vínculos. Jesus alimentou as relações com a compaixão, alimentou processos com a sua Palavra e alimentou vínculos com a partilha. Não exigiu pré-requisitos para semear a esperança que não desilude.

Na sua bula de abertura deste Ano Santo, o Papa Francisco, lembrando o Concílio, escreve:

é dever da Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e da futura, e da relação entre ambas. (…) No Ano Jubilar, seremos chamados a ser sinais palpáveis de esperança para muitos irmãos e irmãs que vivem em condições de dificuldade.

Spes non donfundit, 7.10

A Epifania sé uma graça que se manifesta de muitos modos: a revelação do nascimento de Jesus aos simples, a apresentação do Cordeiro de Deus pelo Batista, a viagem dos Magos, a presença de Jesus em Caná. Que também nós saibamos perscrutar a multiforme presença de Jesus e ser representantes do seu amor em palavras e gestos simples de bondade, a restituir ou a promover a esperança do seu Reino.