L 1 1Jo 2, 29 – 3, 6; Sl 97 (98), 1. 3cd-4. 5-6; Ev Jo 1, 29-34
O maior título que alguém possa ter à face da terra é o de filho de Deus. Porque, como lembra o biblista Dario Vitali, “não há dignidade maior que ser filho de Deus”. São João não mentiu quando disse “Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamarmos filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele”. Hoje, como nunca, precisamos de ouvir estas palavras, uma vez que somos convidados pelo Santo Padre a ser peregrinos da esperança pelo caminho de fraternidade, porque
A esperança de um mundo fraterno não é uma ideologia, não é um sistema económico, não é o progresso tecnológico. A esperança de um mundo fraterno é Ele, o Filho encarnado, enviado pelo Pai para que todos se possam tornar o que somos, isto é, filhos do Pai que está nos céus e, portanto, irmãos e irmãs entre nós.
Portanto, não nos darmos conta desta dignidade fundamental que nos irmana a todos é programar uma sociedade, e quiçá uma Igreja, às avessas, feitas de desigualdade que fere a dignidade, em vez de funções diferenciadas ao serviço dessa dignidade infinita. Ou seja, se há um chefe ou um presidente, se há o Papa ou um bispo ou padre, etc., estamos a falar de consagrações diferenciadas para o serviço de todos que não ferem/não devem ferir a dignidade fundamental de batizados. Só assim é que todos conseguiremos crescer e para experimentarmos o que nós viremos a ser e para vermos Jesus como Ele é, como sugere João Evangelista. Hoje celebra-se a memória facultativa do Santíssimo Nome de Jesus, o único nome ao qual tudo o que há nos céus, na terra e nos abismos se ajoelha, para glória de Deus Pai.
Para o conseguirmos, hoje, precisamos de seguir o exemplo humilde de João Batista, que proclama: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo». A sua humildade tem esta marca: “depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque era antes de mim”. Por isso, ser humilde é, também, não antepormos as nossas ideias e preconceitos à novidade que Jesus é e faz.
Neste início de ano, convido cada um a pensar apenas num pequeno objetivo a atingir, num pequeno passo a dar, para que 2025 traga algum recomeço no dia a dia. E a empenhar-se, ao longo dos próximos 12 meses, para que efetivamente a mudança aconteça. Como diz Fabio Rosini, no livro A arte de recomeçar, “Recomeçar, na realidade, quer dizer sermos regenerados. Requer um Pai. Não se faz. Recebe-se. E para que se torne Pai nosso, devemos deixá-lo cumprir a sua função de Pai. E, por isso, deixar-nos trabalhar por Ele. Estar com Ele. Deixá-lo agir”.
─ Cláudia Pereira, Jornalista da RMOP-PT
