navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 Sf 3, 14-18a; Sl Is 12, 2-3. 4bcd. 5-6 L 2 Flp 4, 4-7; Ev Lc 3, 10-18, no IIIº Domingo do Advento (C)

Estar alegre nas horas boas não é virtude nenhuma. Já estar alegre nas horas más, será um fruto da fé cristã, mesmo que escondida no coração de algumas pessoas que não falam desta pertença quando a “praticam”. E quais são as razões da alegria cristã? Apoiados nas leituras deste IIIº Domingo do Advento ─ chamado domingo gaudete (da alegria) ─ poderíamos apontar estas:

1ª ─ O facto de a causa da nossa alegria estar em Cristo, melhor: ser Cristo. Esta causa está fora de nós e não é da nossa suma responsabilidade. Se fosse, já se tinha esgotado. Em Cristo nunca se esgota. E vem continuamente ao nosso encontro. Para que a assumamos dentro de nós, no que somos e fazemos.

2ª ─ A certeza de que uma só boa ação que seja, de caridade fundamentada na Boa Nova de Cristo, ficará gravada no recordação de Deus, que aproveita tudo para o nosso bem. Ele lembra-se das nossas boas ações e não dos pecados que nos perdoa. Assim queiramos caminhar até junto da sua infinita misericórdia.

3ª ─ O bom senso que já existia em João Batista (como em Jesus, São Francisco de Sales e Carlo Acutis, etc.) de que para cada estado de vida (como as multidões, publicanos, soldados…) ou profissão existe uma virtude que nos fará habitar no Reino: repartir o que se tem, não exigir mais do que é devido, não praticar a violência, etc.; assim para cada uma das nossas vocações e profissões…

4ª ─ A presença do Senhor nos Sacramentos tem consistência em si mesmo. Precisamos de fé para acolher a sua presença, mas não é a nossa fé mais ou menos pobre que O faz estar ali ou ali. Ele está porque quer. É a força do seu Espírito que, na matéria e na forma prevista, garante a sua presença na nossa vida.

5ª ─ O seu coração [de Cristo] aberto precede-nos e espera-nos incondicionalmente, sem exigir qualquer pré-requisito para nos amar e oferecer a sua amizade (Papa Francisco, Dilexit nos,1). Como diz o profeta Sofonias: O Senhor revogou a sentença que te condenava, afastou os teus inimigos, apesar das nossas desordens e pecados. Por isso, não precisamos de temer nenhum mal.

6ª ─ Como nos garante o Apóstolo: alegramo-nos porque o Senhor está próximo, apesar das nossas distâncias. Não nos devemos inquietar, mas apresentar-Lhe os nossos pedidos. A garantia de alegria que acolhemos da presença de Cristo é a paz que essa presença nos dá, não obstante as dificuldades sofridas.

7ª ─ A alegria é cristã quando não se banaliza em momentos de bem estar, nem se esgota em momentos difíceis. a religião cristã é a religião da alegria, de modo que não podemos andar sempre com rosto de quaresma, que é um momento pedagógico do ano litúrgico. A alegria é uma consequência da nossa fé e uma forma de mostrarmos ao mundo que Jesus está vivo no meio de nós e quer-nos vivos (cf. Papa Francisco, Christus vivit, 1).