navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 Gn 3, 9-15. 20; Sl 97, 1. 2-3ab. 3cd-4 L 2 Flp 1, 4-6. 8-11 [Leitura II do Domingo] Ev Lc 1, 26-38 ─ Na Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

Imagem de Agustin De La Torre

Celebramos a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, que a Igreja proclama como dogma desde a Bula Ineffabilis Deus, do Papa Pio IX publicada a 8 de dezembro de 1854. Este ano, esta solenidade coincide com o 2º Domingo do Advento. O que significa para nós, hoje, esta definição e que sentido tem na caminhada para a celebração do Natal do Senhor?

O Anjo, ao dizer-lhe: “Alegra-te, ó cheia de graça: o Senhor está contigo” está a anunciar a Maria uma missão, que a envolve no nascimento do nosso Redentor. Na anunciação, ela não é chamada por Maria, mas por um nome novo ─ “cheia de graça” ─, quer dizer, sem pecado, motivo que hoje celebramos. E o motivo pelo qual Deus a encheu de graça é que Ela se possa tornar mãe d’Aquele que é imaculado e santo por definição, e dado ao mundo para que nós possamos vir a estar, também, santos e irrepreensíveis no amor (cf. Ef 1,3-5).

Toda a grandeza de Maria está contida numa única palavra: SIM ou FAÇA-SE. Ela não colocou nenhum obstáculo para que o divino que estava dentro d’Ela Se manifestasse plenamente. Não reivindicou nada para si mesma, totalmente livre de si mesma para estar plenamente disponível para Deus. Portanto, a grandeza d’Ela, como a de qualquer ser humano, consiste em manifestar Deus aos outros, não no poder ou grandeza da lógica mundana, mas na sua capacidade de se doar aos outros. Maria é grande na sua simplicidade, que somos chamados a imitar para podermos transparecer Jesus Cristo.

O que Maria recebeu antecipadamente na sua Conceição Imaculada, recebêmo-lo nós como consequência no Batismo. Sim, no Batismo também nos é dada uma graça original. “Falamos muito do pecado original, mas também recebemos uma graça original, da qual muitas vezes não estamos conscientes” (Papa Francisco). É através desta graça original que podemos tomar consciência do amor incondicional de Deus, para Lhe podermos corresponder com um amor semelhante. E apesar das fragilidades que nos levam a cair no mal.

Por isso, Maria, hoje, é-nos dada como “espelho, para que n’Ela vejamos o que somos chamados a ser, graças ao dom do amor de Deus” em Jesus (Pe. Pedro Rodrigues, na Liturgia diária, Dez.2024, p.51). Uma vez que a graça do amor de Deus é incondicional e suficiente para todos, agora é necessário que cada crente caminhe por um caminho de conversão para que essa mesma graça possa ser eficaz através de nós. Este processo requer obediência, quer dizer, escuta afetuosa da Palavra de Deus, de forma a podermos vir a ser responsáveis, quer dizer, dar uma resposta que corresponda ao projeto de Deus sobre nós.

O Sim ou “Faça-se em mim” da “Cheia de graça” vemo-lo replicado nos “sins” dos nossos antepassados na fé e dos nossos formadores e fundadores. No princípio do caminho de Maria ─ assim como no princípio de cada família cristã, de cada comunidade, de cada congregação, de cada entrega vocacional, etc. ─ está “o sim” que determina a sua e a nossa existência, de modo que tudo o que acontecer a partir daí seja lido à luz desse sim gravado no nosso coração. É este sim, o princípio ativo que regenera ou configura as nossas vidas, as nossas famílias cristãs e de consagrados e consagradas.

Como S. Daniel Comboni afirmou “a obediência vivida na fé e por amor conduz-nos à liberdade dos filhos de Deus e à plena realização da nossa vida em Cristo. Iluminados pela Palavra de Deus, comprometemo-nos, em atitude de diálogo e de corresponsabilidade, na busca do cumprimento da vontade de Deus que se exprime pra nós por meio de várias mediações humanas…” (RdV, n. 29).

Que Maria Imaculada nos ajude a maravilhar-nos com os dons de Deus e a responder-lhe com a fiel generosidade de cada dia. No meu modo humilde de ver, Ela é Imaculada porque Compadecida e Compadecida porque é Imaculada: