navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Is 61, 1-3a; Sl 88; 2 Cor 4, 1-2.5-7; Lc 12, 35-44 ─ na Solenidade de S. Geraldo, bispo, Padroeiro da Cidade de Braga

O Espírito do Senhor está sobre Jesus e também sobre cada um e cada uma de nós. Para quê? Não é para fazermos a nossa própria vontade, mas para fazermos a vontade de Deus. E qual é esta vontade de Deus? É o que lemos no capítulo 61 de Isaías: anunciar a boa nova aos infelizes, curar os corações atribulados, proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, proclamar o ano da graça do Senhor e o dia da ação justiceira do nosso Deus; consolar todos os aflitos, levar aos aflitos de Sião uma coroa em vez de cinza, o óleo da alegria em vez do trajo de luto, cânticos de louvor em vez de um espírito abatido. Foi para isto que Ele nos ungiu e nos enviou! A vontade de Deus é perfeita e a nossa própria vontade aperfeiçoa-se na medida que se afeiçoar a estes desígnios de amor de Deus que são para o nosso bem. Na vontade de Deus não há nada que prejudique a vida do ser humano. Pelo contrário: completa, leva à plenitude a obra começada por Deus na criação do Homem.

Por isso, a atitude do crente implica começar por “cantar eternamente a misericórdia do Senhor”, como sugere o Salmo 88, uma vez que estamos sempre aquém de, neste terra, corresponder plenamente na nossa resposta pessoal ao amor primeiro de Deus. A vida pública de Jesus foi passada plenamente ao serviço da humanidade, começando por preencher nela os vazios ou distorções que a impediam de viver melhor o propósito sonhado por Deus para cada pessoa.

O Evangelho anuncia-nos a vinda do Senhor, que somos convidados a preparar com ânimo e paciência. De uma coisa podemos estar certos: como a Raposa em relação ao Principezinho, parafraseando a obra de Antoine de Saint-Exupéry, Jesus tornou-Se eternamente responsável por aqueles que cativa. As palavras de Jesus de convite a estarmos preparados em todas as horas refletem esta preocupação de criar laços constantemente connosco. Para isso, como diz a Raposa ao Principezinho, “é preciso que haja um ritual“, “o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas”. É para esse dia que caminhamos, do decurso do qual Jesus não no quer perder, para se encontrar connosco. Por outro lado, Jesus ajuda-nos a resolver o drama da Raposa que dizia ao Principezinho “Teria sido melhor se voltasses à mesma hora … Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração…” aconselhando-nos a ter os “rins cingidos e as lâmpadas acesas”. O que significará isto? Imagino que seja, respetivamente, “fazer silêncio” e “a focalizar o olhar” no que é verdadeiramente importante. Para isso, importa cuidar do coração, ensinando-o a ser um “administrador fiel e prudente”. Como Jesus fez com Pedro, que, depois da Ressurreição Se-lhe confiou como o maior bem que alguma vez alguém poderá receber e administrar (Pedro, tu amas-Me? Apascenta… cf. Jo 21).

Hoje comemora-se o Dia Internacional do Voluntariado. As palavras da Raposa ao Principezinho poderiam ser bem o lema de qualquer voluntário: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo (aquele/a) que cativas”. E cada pessoa cuidada também podem acolher o Principezinho preparando o coração para aquela hora marcada, acolhendo bem o serviço de quem ama.