L 1 Flp 3, 3-8a; Sl 104 (105), 2-3. 4-5. 6-7 Ev Lc 15, 1-10. O que se encontra a itálico é da admonição à primeira leitura.
Hoje, o Evangelho mostra-nos Jesus a contar duas pequenas parábolas para nos falar da misericórdia com que se tecem as relações na perspetiva do Reino de Deus. O pastor que procura a ovelha perdida e a mulher que procura a moeda perdida podem, hoje, ser bem representados pelo Papa Francisco e a política italiana Emma Bonino, que o Sumo Pontífice foi visitar na passada terça-feira, no centro de Roma, logo após à sua passagem pela Universidade Gregoriana, antes de regressar ao Vaticano.
É mais uma daquelas “mudanças de rota” supreendentes que o Papa realizou fora do protocolo, tal como Jesus teve de fazer com as parábolas da misericórdia, para se distanciar da dureza e intransigência dos fariseus e dos escribas para com os pecadores.
Emma é uma ativista líder do partido “Mais Europa” de 76 anos, que tinha recebido alta clínica hospitalar por causa de doenças respiratórias. Tinha voltado para casa nos últimos dias. Nas redes sociais, esta mulher comentou “a enorme surpresa, cheia de emoção”, dizendo: “do Papa Francisco emerge sempre o aspeto humano extraordinário. Começando pelo presentes que me deu, um maravilhoso maço de rosas e chocolates. Fiquei muito impressionada pela força e compreensão que me demonstrou já da sua saudação ‘cerea’ [um ‘tchau’ mais formal], típico piemontês, pelas nossas origens comuns. E ter-me dito que sou ‘um exemplo de liberdade e resistência’ me encheu de alegria.”
À curiosidade dos jornalistas acerca deste encontro, o Papa respondeu que aquela mulher, que já no passado tinha superado um cancro, estava muito bem e que era uma mulher muito cordial.
O Apóstolo Paulo afirma que “os verdadeiros circuncidados” são os que prestam “culto a Deus segundo o Espírito e se gloriam em Jesus Cristo sem se gloriar na carne”. Ele, que foi circuncidado aos oito dias, da raça de Israel, fala da Lei judaica, do zelo e da justiça segundo a Lei como “prejuízo” em relação ao “bem supremo que é o conhecimento de Jesus Cristo”. Portanto, renuncia a tudo para O ganhar a Ele.
O cristianismo não é simples doutrina nem simples moral, mas a aceitação, em toda a vida, da pessoa de Jesus Cristo e do desígnio de Deus que Ele nos revela. Todas as expressões, pessoais ou coletivas, da fé cristã são sempre sinal e meio de participação na vida de Deus, revelada e comunicada a nós em Cristo. Tudo o que não fosse isto, seria perda e desvantagem.
Se diante da errância dos pecadores não fossemos (ao menos) como os GPS’s de estrada que, no engano, com uma voz simpática, dizem “vamos recalcular o seu itinerário”, então ainda seríamos menos úteis que os aparelhos de GPS!! Quanto aos pecadores, o exemplo e a norma de Cristo é, não obstaculizá-los, repreendê-los nem deixá-los à sua sorte, mas acolhê-los e ajudá-los a encontrar o caminho para Ele.
