navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 Flp 2, 12-18; Sl 26 (27), 1. 4. 13-14 Ev Lc 14, 25-33, na memória de S. Nuno de Santa Maria, religioso

No Capítulo V da sua recente encíclica Dilexit nos, o Papa Francisco escreve-nos (nn. 165 e 166):

A partir da segunda grande manifestação a Santa Margarida, Jesus exprime dor porque o seu grande amor pelos homens «não recebia senão ingratidão e friezas. Isto – disse-me Ele – custa-me muito mais do que tudo quanto sofri na minha Paixão».

Jesus fala da sua sede de ser amado, mostrando-nos que o seu Coração não é indiferente à nossa reação diante do seu desejo: «Tenho sede, mas uma sede tão ardente de ser amado pelos homens no Santíssimo Sacramento, que esta sede me consome; e não encontro ninguém que se esforce, segundo o meu desejo, por saciar a minha sede, retribuindo um pouco do meu amor». O pedido de Jesus é o amor. Quando o coração fiel o descobre, a resposta que brota espontaneamente não é uma custosa busca de sacrifícios ou o mero cumprimento de um pesado dever, é uma questão de amor: «Recebi de Deus graças muito grandes do seu amor, e senti-me impelida do desejo de lhe corresponder de algum modo e de lhe pagar amor por amor». O mesmo ensina Leão XIII, escrevendo que, mediante a imagem do Sagrado Coração, a caridade de Cristo «nos move ao amor recíproco».

Portanto, Jesus pede-nos que O amemos com um amor o mais possível parecido com o d’Ele para, consequentemente, podermos amar-nos uns aos outros. Assim o diz o Santo Padre (n. 167):

É preciso voltar à Palavra de Deus para reconhecer que a melhor resposta ao amor do seu Coração é o amor aos irmãos; não há maior gesto que possamos oferecer-lhe para retribuir amor por amor. A Palavra de Deus di-lo com toda a clareza: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).

Será este o sentido dos convites de Jesus a “preferi-Lo” e “tomar a nossa própria cruz”. Para unirmos a resposta a estes dois convites, precisamos de deixar que Ele nos purifique os nossos sentimentos do coração para um amor total. Pois, como lembra Amedeo Cencini, “existe uma só vocação, a do amor, que tende a deixar-se amar e a amar, a anunciar o amor e a traduzi-lo em gestos correspondentes de acolhimento, perdão, gratidão, gratuidade, benevolência, serviço, sacrifício de si, paixão, paz, solidariedade, martírio… Qualquer que seja a vocação específica de cada um ou o caminho que está chamado a percorrer, o destino final da sua existência não muda: receber amor e dar amor. Pondo ao serviço do amor tudo o que o ser humano recebeu na vida…” (Quando a carne é débil, 11).

Como explica Paulo, “odedientes… trabalhai… Na verdade, é Deus que opera em vós o querer e o agir segundo os seus desígnios de amor”. O desígnio de Deus sobre os homens é que estes entrem na comunhão de amor com Ele, não só nesta vida, mas para todo o sempre. É esta a obra de Jesus acerca da nossa vida. A nossa resposta não pode ser senão como sugere São Paulo: “Fazei tudo sem murmurar nem discutir, para serdes irrepreensíveis e puros, filhos de Deus sem mancha”.

A leitura do ofício desta memória do religioso São Nuno de Santa Maria prova-nos que, sejam quais forem as vicissitudes pelas quais um homem possa passar, se ele tiver um coração ardente e puro, segundo os desígnios do Senhor, este não deixará que a sua tenha outro rumo senão o de O amar e servir. Através da devoção a Nossa Senhora e da humildade com que serviu os mais frágeis.

Na sua nota pastoral para esta Semana de Oração pelos Seminários, D. Vitorino Soares, Presidente da CEVM, convida-nos a

Não esperar que aconteça, mas lutarmos e confiarmos que possa acontecer. Este é um movimento que o salmista constrói n’Aquele que é capaz de fazer acontecer, por isso, acrescenta o salmo 39: “a minha esperança está no Senhor”, num Senhor que não nos abandona.