navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 Flp 2, 1-4; Sl 130 (131), 1. 2ab e 3 Ev Lc 14, 12-14, na memória de São Carlos Borromeu, bispo, dentro da Semana de Oração pelos Seminários

Com humildade, considerai os outros superiores a vós mesmos, sem olhar cada um aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros.

Esta exortação de São Paulo dissipa de uma vez por todas a possibilidade de que se vejam os ministérios na Igreja como algo que confira superioridade a alguém, em vez de facilitar o serviço humilde. A carta aos filipenses foi “escrita com sangue”, tirada do coração de Paulo, não para ele se exaltar, mas para demonstrar a todos que é na forma como vivemos as fragilidades que se revela a força de Deus, e não a força dos homens. Portanto, só “num só coração e numa só alma” é que os cristãos (todos) poderão manifestar na terra o amor de Deus, dissipando todo o tipo de rivalidade e vanglória. Só assim é que se pode evangelizar.

Foi esta a postura de São Carlos Borromeu, num dos sermões do encerramento do último Sínodo diocesano:

Confesso que todos somos fracos; mas o Senhor Deus pôs à nossa disposição os meios que, se quisermos, facilmente nos podem ajudar.

Neste seu sermão, ele convida-nos a regressar à liturgia da Palavra de ontem (Domingo XXXI do Tempo Comum/B), ao “mandamento da escuta” que favorece o amor a Deus e ao próximo: para “adiantar de virtude em virtude”, “ouve o que te digo” acerca da centelha do amor de Deus e do modo de ligar com ela. Não bastam desejos e dispensam-se queixas. Há que evitar-se as distrações e manter-se recolhido. “Estuda e consagra-te… Há que pregar com a própria vida e com os costumes”. “Não descures então o cuidado de ti próprio, (…) é necessário que te lembres das almas que diriges, mas desde que te não esqueças de ti”. Sugere a “oração mental” como “fio de ouro” a ligar todas os momentos e atividades. Ao fim e ao cabo, na nossa vida trata-se de ter “força (interior) para fazer nascer Cristo em nós e nos outros”.

No evangelho, Jesus oferece a todos um critério de escolha para o escrutínio sobre quem pode ser seu servidor: escolher ser feliz para sempre sem querer uma retribuição terrena, dando prioridade aos mais infelizes. Quem é capaz de escolher segundo a lógica de Jesus, vai “traduzir a espera por esperança“, como nos sugere D. Vitorino Soares, Presidente da CEVM, no contexto desta Semana de Oração pelos Seminários.

Não esperar que aconteça, mas lutarmos e confiarmos que possa acontecer. Este é um movimento que o salmista constrói n’Aquele que é capaz de fazer acontecer, por isso, acrescenta o salmo 39: “a minha esperança está no Senhor”, num Senhor que não nos abandona.

Seguir esta lógica, leva a que à oração se una o empenho, colocando em prática novos modelos/formatos/acompanhamentos/possibilidades, para “não desistirmos nem nos rendermos diante da aridez que experimentamos”.