navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 Gn 2, 18-24; Sl 127 (128), 1-2. 3. 4-6 L 2 Heb 2, 9-11 Ev Mc 10, 2-16 ou Mc 10, 2-12, no XXVII Domingo do Tempo Comum (B) e Jornada de Oração e Jejum pela Paz

Ao longo dos tempos, nem sempre a cultura, especificamente, a religiosa se manteve firme na consideração da verdade do “princípio da criação”. E as mudanças não foram sempre bem acolhidas por causa das profundas consequências acarretadas pela substituição de mundividências para a história da humanidade. Muitos, aliás, arriscaram a própria vida a desenvolver teorias atestadas por comprovações científicas. Jesus, por seu lado, entregou a sua vida por praticar ações atestadas pela sabedoria de Deus.

E é com gestos ou a falta deles que podemos rEVOLucionar as culturas humanas com o amor ou frenar o desenvolvimento das mesmas com o desamor. Reparemos que a palavra AMOR está escrita em inglês na palavra rEVOLução. Segundo o psicólogo russo Boris Cyrulnik, o casamento pode acontecer influenciado pela vinculação (entre famílias ou padrões de cultura próximos ou compatíveis) ou por revolução (entre famílias ou padrões de cultura distantes ou incompatíveis). Boris defende que o ideal seria o equilíbrio entre estas duas culturas. Ora, no tempo de Jesus vigorava o padrão cultural em que às mulheres não era dado escolher com quem casar, de modo que facilmente desagradariam ao seu marido e por tudo e por nada o mesmo poderia repudiar a sua esposa (e não só por razões imorais).

Com a sua forma de agir, Jesus opera uma verdadeira revolução, sublinhando que é mais importante unir do que repudiar, sendo que a união represente a defesa e promoção da igual dignidade na complementaridade.

Em relação às crianças, tão desconsideradas no seu tempo, Jesus defende que sejam tocadas/abençoadas e não afastadas. Mais: elas são qualificadas de modelos para quem deseje entrar no Reino dos Deus.

Portanto, unir e não repudiar, tocar e não afastar, são gestos da revolução “copernicana” do amor de Deus. A segunda semana do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade vai debruçar-se sobre o tema das relações. É uma verdadeira revolução eclesial poder-se rezar e refletir sobre tudo o que pode levar a repudiar e afastar aqueles que a Igreja é chamada desde o coração de Cristo a unir e a tocar/abençoar.

O convite do Papa Francisco corroborado pelos nossos bispos a velarmos pela paz é uma destas manifestações revolucionárias que nos permitem unir os povos em guerra e tocar os sofrimentos das vítimas, que na maior parte das vezes continuam a ser mulheres ignoradas na sua igual dignidade e crianças indefesas.

O Salmo 128 que hoje se canta termina com “Paz a Israel”. Que todos aqueles por quem velamos a convite do Papa sejam abençoados com a Paz duradoura que só Deus nos pode oferecer.