navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 Dt 4, 1-2. 6-8; Sl 14 (15), 2-3a. 3cd-4ab. 4c-5 L 2 Tg 1, 17-18. 21b-22. 27 Ev Mc 7, 1-8. 14-15. 21-23 | XXII Domingo do Tempo Comum (B) | Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação/Tempo da Criação

Foi assim a experiência do povo de Israel, convidado a cumprir os mandamentos do Senhor, de forma que ao observá-los os outros povos poderiam exclamar: «‘Que povo tão sábio e tão prudente é esta grande nação!’. Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos? E qual é a grande nação que tem mandamentos e decretos tão justos como esta lei que hoje vos apresento?» Perto da Terra Prometida, Moisés recorda ao povo a importância da Lei de Deus como a única luz que ensina aos homens o caminho da vida autêntica e verdadeiramente feliz. Uma Lei que, antes de mais, é necessária para educar o coração do homem.

Mas cuidado! Moisés disse ao povo “não acrescentareis nada…”, “nem suprimireis coisa alguma”, “mas guardareis”. Pois, no tempo de Jesus eram impostas mais leis do que aquelas que eram necessárias. Hoje costuma-se dizer que vale mais uma má lei do que nenhuma; no entanto, mais leis do que as necessárias também desorientam do ideal a conquistar.

Jesus foi confrontado diante dos fariseus com um culto que tinha deixado de estar fundamentado no ideal proposto por Deus através de Moisés. Um culto que procurava “honrar a Deus com os lábios”, mas que levava a ter o “coração longe do Senhor”. Um “culto vão”!

Então Jesus chama a multidão para a ensinar: «Escutai-Me e procurai compreender. Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior do homem é que saem as más intenções: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. Todos estes vícios saem do interior do homem e são eles que o tornam impuro».

Explicar e aplicar a Palavra de Deus tem sempre um risco: pode acontecer que a adulteremos. Por isso, é muito importante a luz do mesmo Espírito de Deus que a inspirou. Para isso, temos de nos libertar da visão estreita e interesseira do espírito do homem. A palavra de Deus é espírito e vida, e não apenas letra, que, por si só, pode matar. O que os patriarcas e os profetas mediaram e transmitiram foi a Torah; os judeus acrescentavam-lhe ainda o Talmud, que era a sua tradição oral. Ora, como o povo sabe, “quem conta um conto acrescenta um ponto”. Foi aí que, sem a coragem de avaliar e de atualizar, com uma fidelidade criativa que o espírito da Torah ─ Revelação de Deus ─, começou a desaparecer, ficando com mais peso a “tradição dos homens”.

Dando ouvidos ao Espírito Santo na Palavra viva que é Jesus, São Tiago exorta os seus irmãos a ser dóceis à Palavra do alto que leva a viver «A religião pura e sem mancha, aos olhos de Deus, nosso Pai, consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo».

As coisas de Deus não são Deus! Quantas vezes se endeusaram as coisas de Deus, em desfavor de uma boa relação com os irmãos. Aliás, a prova dos nove de que a religião está a se bem vivida é a relação harmoniosa entre Deus e os irmãos. O que entendemos por “coisas” de Deus? O Papa Francisco, no tempo atual, ajuda-nos a perceber que “coisas” são essas e como podemos melhor viver diante delas. Vejamos este esquema da sua mensagem para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação: