L 1 Ez 16, 1-15. 60. 63 ou Ez 16, 59-63; Sl Is 12, 2-3. 4bcd. 5-6 Ev Mt 19, 3-12; reflexão inspirada em VV.AA. Comentários à Bíblia Litúrgica. Assafarge: Gráfica de Coimbra 2, 2007.
Hoje, o Evangelho traz-nos à nossa reflexão a relação entre o ser e o não ser casado; ou entre o casamento e o celibato. No que toca ao ser casado, o problema exposto era o da possibilidade do divórcio, que é exposto em debate diante de Jesus. No que toca ao não ser casado ou celibatário, é referida a existência dos eunucos, entre estes apontados por Jesus como “úteis” os que se fazem assim pelo Reino de Deus.
Em relação às discussões sobre o divórcio, que é mais velha do que o Evangelho, no tempo de Cristo estavam polarizadas em duas escolas: a de Hillel, que permitia o divórcio até se a mulher deixasse queimar a comida ao marido; e a de Shammai, que só o permitia em caso de adultério. A resposta de Jesus vai além da lei, baseando-Se no princípio de exegese judaico “o mais antigo é o mais autêntico”. E o mais antigo era a Criação. Com a declaração deste princípio, Jesus rebaixa, naquele tempo, o homem prepotente e eleva a mulher desconsiderada. Ser “uma só carne” é uma possibilidade de consagração, na lógica da Criação, através de uma vida comum. A lei de Moisés era uma permissão, não um mandamento, motivada pelas circunstâncias. Por isso, Jesus coloca-se por cima das referidas escolas, inclinando-se para o ideal moral da fidelidade a um dom. Por isso é que Ele diz “aquele a quem é concedido”.
Esta mesma condição se refere àquele que se faz eunuco pelo Reino dos Céus. É pela ação do Espírito que alguém se casa pelo Reino dos Céus ou que alguém se consagre no celibato pelo mesmo Reino. Ao ser humano é pedido que “possa compreender” que seja qual for a vocação ou estado de vida, é preciso compreender se ali está um dom que é preciso viver até ao limite. Precisa-se o discernimento.
