navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Sexta-feira da XV semana do TC (B): L 1 Is 38, 1-6. 21-22. 7-8; Sl Is 38, 10-11. 12abcd. 16-17ab; Ev Mt 12, 1-8

A Lei absoluta e fundamental que está no centro do Sagrada Escritura, está latente no Antigo Testamento e é patente no Novo Testamento, de forma mais explícita no Evangelho, e que o Magistério/Tradição da Igreja recebe por mandato defender e promover é a Lei do Amor de Deus que se traduz na prática pela Caridade. A fé aponta para ela, acende o seu “fogo” e a esperança persevera nela, promovendo-a no tempo.

Todas as outras leis e regras da vida cristã decorrem dela. Diria também as leis justas da sociedade decorrem dela, uma vez que o Espírito Santo não se fecha em instituições, mas “sopra onde quer” (Jo 3, 8). E, decorrendo dessa Lei fundamental, têm de manter-se nos desígnios ou nos planos que Deus tem para a humanidade em cada tempo ou época histórica ou diante de cada situação humana. Quando uma lei particular (não fundamental) não responde na solução a uma situação, a pedagogia da mesma terá de ser reformada. Senão, o que deveria promover a justiça de Deus pode resultar em injustiça humana. E Deus nunca Se engana. Porque o “critério” para aferir de uma boa moral é o próprio Deus revelado em Jesus Cristo.

Uma situação concreta a que Jesus teve de dar resposta foi a que nos é manifestada no Evangelho de hoje: “sentindo fome, começaram a apanhar e a comer espigas”. Logo vieram os fariseus com “ideologias” (já não seria boa religião…) ripostar com Jesus, por ser dia de sábado. A resposta de Jesus retoma a verdade da Escritura, na prática sábia dos antigos nem sempre levada a sério pelos das gerações vindouras. (Cabe aqui sugerir-se que se deixa de argumentar com a mentira do “deve-se fazer assim, porque assim sempre se fez”. Porque É MENTIRA e não é da sabedoria divina!!)

Como nos prova a sabedoria e atitude de Cristo, ao deixar os seus discípulos apanhar e comer espigas no dia de sábado, e como a jurisprudência do rei David ao deixar que os seus companheiros entrar na casa de Deus e a comer os pães da proposição, e como os sacerdotes que violavam o repouso sabático não só sem consciência da culpa, mas também de não reconhecimento da culpa, fica claro que devemos obedecer antes a Deus que aos homens, pois é n’Ele que devemos colocar a nossa confiança.

Porque é Deus que é capaz de transformar a morte em vida (de “matar” a morte definitiva) e de escutar as preces, enxugando lágrimas, e apontando soluções desconhecidas através de elementos à disposição. Como é o caso de um “bolo de figos” que Deus manda colocar sobre as chagas de Ezequias, acrescentando-lhe mais quinze anos de vida. E Deus ainda é capaz de mais: de dar sinais como aquele “desandar o relógio dez graus”. O que significará isto? Que Deus nos pede que façamos os possíveis, que Ele fará os impossíveis! Neste episódio do Antigo Testamento, Deus não só muda a vida de um homem doente, como faz evoluir a pregação de Isaías de um sermão fúnebre a um procedimento de cura.

Como podemos, então, perceber se um sacrifício é o que diz a própria palavra sacrum facere, quer dizer, um procedimento sagrado vindo de Deus para nos curar e dar vida? Proponho, humildemente, os seguintes critérios para aferirmos se um sacrifício é útil ou inútil:

1) É possível ao ser humano (a Deus os impossíveis);

2) Respondem a situações humanas concretas, como a fome, a doença, etc., mediando Deus e as pessoas (e não a conceitos ou leis abstratas de religião);

3) Decorrem da oração e fazem-nos próximos dos outros;

4) Promovem o nosso bem interior e manifesta-se esse bem no exterior (como o “danoninho”).