L 1 2Pd 3, 12-15a. 17-18; Sl 89 (90), 2. 3-4. 10. 14 e 16 Ev Mc 12, 13-17
Descobri na infopédia, da Porto Editora, que o verbo “supreender” vem acompanhada como o seguinte exemplo:

Pelo que aprendemos no dicionário, a conjugação deste verbo, no concreto da relação entre as pessoas, tanto pode esconder intenções positivas ou negativas, como resultar em consequências positivas ou negativas. Pode ser um verbo transitivo (de quem provoca uma reação nos outros) ou um verbo pronominal (de quem se deixa influenciar por uma provocação alheia). A indiferença parece não se relacionar muito com este verbo.
É curioso que os fariseus e partidários de Herodes tentaram surpreender Jesus no sentido negativo de “apanhar descuidado ou em flagrante delito” no que Ele dissesse e, no final, foram eles que “ficaram muito admirados” foram eles.
Como lemos na Admonição para a Boa Nova de hoje, Diante da emboscada que os seus inimigos Lhe fazem, Jesus afirma, com toda a serenidade, um grande princípio: o campo espiritual e o temporal não se opõem nem estão em contradição, do mesmo modo que Deus não é oposto a César. O homem que quiser ser fiel a Deus tem de respeitar os direitos da autoridade humana; mas esta, por seu lado, deve ter sempre presente aquele outro princípio que Jesus afirmou solenemente no tribunal romano de Pilatos: “Não terias sobre Mim poder algum, se não te tivesse sido dado do Alto” (Jo 19,11).
Enquanto que a atitude de Jesus não foi a da separação, mas da conciliação de realidades que aprecem opostas aos olhos dos homens, a tendência de quem costuma surpreender os outros com a intenção de os apanhar em descuidado, não raramente advém da inclinação para ver todas as realidades separadas umas das outras. O olhar de Jesus e a sua atitude é a de unir, não de separar. O seu modo de reinar une, não divide. Ele já tinha dito uma vez aos seus discípulos: “Quem não está comigo está contra mim, e quem não recolhe comigo dispersa” (Lc 11,23).
Um exemplo concreto a partir da experiência do V Congresso Eucarístico Nacional: a forma de ver/viver a Eucaristia pode influenciar o modo de viver como cristãos e vice-versa. Na quinta conclusão deste Congresso, lê-se:
Garantir a autenticidade e coerência entre o que se vive e anuncia. Quem participa, celebra e comunga tem de se sentir comprometido e impelido à missão. A Eucaristia celebrada na igreja tem de ser expressa para além das suas portas, através das respostas reais às necessidades concretas das pessoas, estendendo o seu abraço a todos, especialmente aos mais pobres, indefesos e os que estão afastados.
Não raro, quem vive e olha para a Eucaristia como ato “mágico” tende a considerar os que vivem “afastados” com com desdém, diminuindo o impacto do caudal de graças que advêm deste Sacramento em favor de todos. Ao invés do que anuncia Pedro: “Esperai e apressai a vinda do dia de Deus… Porque nós esperamos, segundo a promessa do Senhor, os novos céus e a nova terra, onde habitará a justiça… Enquanto esperais este dia, empenhai-vos, sem pecado nem motivo algum de censura, para que o Senhor vos encontre na paz. À luz das conclusões deste V Congresso Eucarístico Nacional, este Apóstolo também foi “sinal de esperança“, em “O amor dos crentes à Eucaristia acreditada, celebrada, adorada e vivida consolida a fraternidade, promove o perdão e a paz, tornando-se fonte inesgotável de esperança para o mundo”. Por vezes, a “paciente espera” de que Pedro fala não é só ou tanto em relação às adversidades causadas pelos afastados, mas, por vezes, à impiedade de quem habita a Igreja.
Seja como for, fundamentalmente, todos pertencemos a Deus!
