L 1 Tg 5, 1-6; Sl 48 (49), 14-15ab. 15cd-16. 17-18. 19-20 Ev Mc 9, 41-50
O desconhecido que tem a sensibilidade de nos dar um copo de água para matar a nossa sede, agrada a Jesus.
Os pequeninos que creem em Jesus Cristo mesmo sem terem uma função importante na comunidade, são uma prioridade para Jesus.
O céu pode albergar mutilados. O céu pode ser pista para coxos. O Reino pode ter paisagem para cegos. Desde que as suas consciências estejam em paz.
A passagem para a vida eterna será à prova de um fogo de sal. O mesmo sal que serve para temperar a vida terrena é símbolo de duração e de valor. A demonstração deste tempero é a paz entre todos, uma paz feita de purificação, de condimento e conservação do que é bom. Uma paz feita com o “pacto de sal”, em que os contraentes comiam pão com sal. Uma paz augurada para a criança recém-nascida que era friccionada com sal (cf. Ez 16,4). Uma paz medida por um salário justo.
Nas primitivas comunidades cristãs como aquela com que lidou Marcos já emergiam problemas no relacionamento entre pessoas débeis e pessoas fortes na fé, como hoje, mascarado de outras formas de antagonismos na manifestação prática da fé. Paulo chegou a dizer: “Mas, tomai cuidado, que essa vossa liberdade não venha a ser ocasião de queda para os fracos” (1Cor 8,9).
A liturgia de hoje adverte-nos para que no relacionamento com os outros nunca sejamos causa de escândalo, sobretudo em relação aos mais pequeninos. Eles hão de ser sempre o objeto do nosso amor, que os há de socorrer nas dificuldades e nunca deixar que sejam por nós, de qualquer modo, ofendidos. O escândalo é sempre pecado contra o amor devido ao próximo.
Quase sempre, em matéria de escândalos, se olhou para as questões da concupiscência, porque são as mais notadas por todos como distorçam dos que seguem a Cristo. No entanto, razão tinha o Papa Paulo VI em sugerir que os que servem a Cristo começassem por cuidar com mais esmero a conselho evangélico da pobreza. Ele intuía que da falta de obediência nesta matéria derivavam os outros males mais vistosos.
Como percebemos pela primeira leitura, a simplicidade de vida ─ quer dizer: o bom uso dos bens como bênção a partilhar ─ é a que mais nos pode ajudar a dar testemunho da justiça. O contrário “brada aos céus”.
«A Doutrina Social da Igreja desafia os cristãos de muitas formas. A que me parece mais interpelante e radical é o chamamento a uma opção preferencial pelos mais pobres, assente no conceito de Destino Universal dos Bens da Terra. Este princípio determina que “Deus destinou a terra, com tudo o que ela contém, ao uso de todos os homens e povos, de modo que os bens criados devem estar ao dispor de todos com equidade, tendo como guia a justiça e por companheira a caridade” (Gaudium et Spes, 69). A Terra, portanto, deve ser posta à disposição de todos, pois a todos foi dada por Deus.» (Joana Rigato, O Destino Universal dos Bens: a radicalidade do sonho de Deus)
Que no nosso crescimento espiritual a vivência dos conselhos evangélicos seja um harmonioso canto a três vozes, num acorde perfeito que manifeste a glória de Deus, que Ele quer que vivamos já a começar nesta terra.

Não tenha medo de correr o risco de que de dez baterem à porta, apenas um é necessário. É melhor ajudar todos os dez, do que mandar embora de mãos vazias o único que precisa.
