L 1 At 18, 23-28; Sl 46 (47), 2-3. 8-9. 10 Ev Jo 16, 23b-28
Na atualidade, assistimos a uma veloz escalada científica no sentido de levar o ser humano o mais longe possível em viagens espaciais. É o caso da competitividade entre os grandes magnatas Bezos, Musk e Branson, através das empresas, respetivamente, Blue Origin, SpaceX e Virgin Galactic, que possibilitam uma viagem ao espaço por poucos minutos a custar vários milhões de euros por pessoa.
No Evangelho de hoje, Jesus fala-nos de outro tipo de viagem, acessível a todos e que nos possibilita ir ainda mais longe, não em espaço, mas em relação ao infinito amor. Ao dizer Saí de Deus e vim ao mundo. agora deixo o mundo e vou para o Pai, não está a falar de uma viagem exclusiva, mas inclusiva, bastando, para isso, a “cunha” de Jesus ao Pai. “Cunha” esta que não é um segredo só para alguns, mas é público, todos sabem e devem saber. É assim: ter uma alegria completa, que não dependa da posse de bens materiais ou de grandes possibilidades neste mundo, implica só usar o nome de Jesus como “password” na oração diante do Pai. Esta oração faz-nos entrar numa rede de relações que nos impulsionam caminhar por uma via de felicidade que não fica limitada a um mero grupo de pertença, seja ele social ou religioso/eclesial, mas de um pequenino ponto ou ato de bondade estar imediatamente ligado ao Céu.
Jesus prometeu aos seus discípulos um conhecimento claro do Pai, levando-os a ir mais além das parábolas, dos ritos e das tradições humanas. Para isso, sugeriu somente que peçamos ao Pai em seu nome. Há um “plafond” de graça que está à espera de que a obtenhamos com a única “moeda” de troca necessária: pedi-la ao Pai em nome de Jesus.
Essa graça não é só para a “viagem para o céu”, mas também, segundo o modelo cristão da “redenção”, para colaborarmos com a salvação uns dos outros. A primeira leitura mostra-nos o exemplo de Apolo, que era um entusiasmado seguidor de Jesus. No entanto, como que ainda não era “crismado” (“só conhecia o batismo de João”) e não saia da sinagoga. Então, o casal Priscila e Águila prepararam-no convenientemente para o “caminho do Senhor”, que o levou a ir mais longe: ao encontro dos judeus com o auxílio da graça a “demonstrando pelas Escrituras que Jesus era o Messias”.
Hoje, são precisos cristãos assim: que partam de um grande “plafond” de relação com o Pai em nome de Jesus, que os inunde com o Espírito que é o Amor do Pai, para vivermos à imitação de Jesus na terra, anunciando a salvação a todos.
