navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 At 18, 9-18; Sl 46 (47), 2-3. 4-5. 6-7 Ev Jo 16, 20-23a; Reflexão apoiada em parte em VV.AA. Comentários à Bíblia Litúrgica. Assafarge: Gráfica de Coimbra 2, 2007.

Pela forma como aconteceu a conversão de Paulo, não lhe será estranho que o Senhor lhe apareça novamente para lhe dizer, desta vez, que tem em Corinto um “povo numeroso”, persuadindo-o que não pare de pregar. Na tentativa de cativar Galião para a sua ortodoxia, os judeus levantam-se todos para levar Paulo a tribunal, por considerarem a sua doutrina herética. Eles não mudaram nada, enquanto que Galião está para Paulo como Pilatos está para Jesus.

Galião afirma que a divisão entre cristãos e judeus é por causa de questões teológicas. Politicamente, os cristãos estão isentos de culpa em relação ao Império. Está clara a rutura entre Paulo e o judaísmo, mas está claro também que não foi por culpa dos cristãos que os judeus não aceitaram o Evangelho. O próprio Paulo dirigia-se a eles sempre em primeiro lugar, imitando a jurisprudência de Jesus.

Podemos concluir que as dificuldades encontradas por Paulo na sua tarefa da evangelização denotam a veracidade da palavra de Cristo sobre a proteção dada às suas testemunhas. Paulo sente uma especialíssima proteção da divina providência, como se prova neste tribunal.

Na experiência de Paulo, acontece como Cristo explicou aos seus discípulos: enquanto eles choram o mundo se alegrará. Estarão tristes, mas a sua tristeza transformar-se-á em alegria. Acontece com os discípulos que creem em Cristo como a mulher que está para ser mãe.

Acontece-lhes como com o alternador de um carro que, segundo dizem os entendidos em mecânica automóvel, é um dos componentes mais importantes dos automóveis a combustão, porque transformam a energia cinética em energia elétrica. O alternador é acionado pelo motor, sendo a sua ligação feita por uma correia. Com este a trabalhar, gera corrente alternada que é transformada em corrente contínua, que dá para alimentar tudo o que funciona a energia elétrica no carro. Aplicando a metáfora à Palavra de hoje e à vida cristã: o que segue Cristo está ligado com a “correia” da esperança à presença do Ressuscitado e à promessa da sua ressurreição que geram alegria. Ali vai buscar força (energia cinética, relativa a movimento) para aguentar os sacrifícios inerentes à geração de vida nova (energia elétrica) que sustenta a vida no mundo.

Na cultura dos carros, raramente se fala do alternador. Ele tem uma função escondida, mas importante. Assim são os discípulos de Jesus que Paulo encontrou em Corinto em comparação com os de Atenas: estes tinham mais inteligência mas não quiseram aceitar a revolução da vida que Cristo lhes oferecia, enquanto que os coríntios, apesar das suas fragilidade de costumes, tiveram mais humildade de aceitar.

A Assembleia da República Portuguesa resolveu, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, consagrar o dia 10 de maio como Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual. Incentivada pela HUMANITAS, uma Federação constituída por IPSS’s, a Assembleia da República deixou-se comover pelo exemplo de um jovem, Dwight Mackintosh, que nasceu no dia 10 de maio de 1906 em Hayward, Califórnia. Aos 16 anos de idade foi-lhe diagnosticado “atraso mental” e institucionalizado num hospital psiquiátrico. Viveu em instituições psiquiátricas durante 56 anos. Sempre demonstrou grande propensão para as artes e por isso frequentou a partir de 1978 um Centro de Arte em Oakland, Califórnia, criado para artistas com deficiência. Mackintosh tornou-se num dos pintores mais conhecidos dos USA influenciando decididamente o panorama artístico contemporâneo. Com a criação do Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual no dia 10 de maio pretende-se valorizar e representar a pessoa com deficiência intelectual, no seu todo, as suas capacidades e a sua forma de ser. Este é um dia que vai sublinhar o empoderamento e autodeterminação da pessoa com deficiência intelectual, deixando, na História, a sua marca de vida.

Paulo assinaria esta efeméride sem problemas, como prova o que escreveu um dia aos coríntios (1Cor 13, 24-27):

Deus dispôs o corpo, de modo a dar maior honra ao que dela carecia, para não haver divisão no corpo e os membros terem a mesma solicitude uns para com os outros. Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria. Vós sois o corpo de Cristo e cada um, pela sua parte, é um membro.