navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 At 7, 51 – 8, 1a; Sl 30 (31), 3cd-4. 6ab e 7b e 8a. 17 e 21ab Ev Jo 6, 30-35

A obra que Deus quer de vós é que acrediteis n’Aquele que Ele enviou. Jesus é concreto, direto e claro. Ele exige a aceitação da sua pessoa e das suas palavras. Os judeus queriam fazer de Jesus uma “fotocópia” de Moisés. E a sua ambição pesa as “gramas” de um simples maná. Pouco criativos. Pouco ambiciosos. Sem horizonte divino.

Para além do mais, os judeus conservavam de tal modo a memória do maná dado aos seus pais, como algo sapiencial reservado para uma idade adulta, assim como como alimento para as festas da Páscoa, que nenhuma outra proposta poderia ser bem aceite. Se acreditavam numa vinda do Messias, Ele teria de trazer, também, o maná caído do céu. Deus não poderia inventar ou ousar nada de novo. Só repetir… ainda que fosse com o Messias. Ele seria um personagem dedicado a representar o que os homens quisessem…

Os homens creram mais em Moisés que em Deus. Como haveriam de acreditar que Jesus é o novo pão descido do Céu? Jesus oferece mais: quem o aceitar como pão oferecido por Deus não terá mais fome. Ele veio para satisfazer todas os anseios da humanidade. A aceitação de Jesus como pão do céu implica a fé e não se pode ir até Ele sem ela. A reivindicação, seja do que for, costuma ignorar o bem que está para além do que possamos pedir ou esperar.

Jesus consegue um grande milagre, no episódio de hoje: o desejo deste pão novo e definitivo, de vida eterna. Prova-o a oração “Senhor, dá-nos sempre desse pão”.

Hoje rezo pelas vocações de especial consagração.

Num tempo em que para muitos jovens ─ mesmo os que frequentam a Igreja ─ não encontram nada de “novo” em muitas vidas entregues ao serviço dos outros. Esperam “milagres” e “quimeras”. Quem lida com os jovens sabe bem as “cambalhotas” que temos que tentar para aliciar os seus corações. Não se pode fazer coisas repetidas. E o que é tesouro de sempre já não atrai. Procura-se utilizar as novas linguagens para chegar até eles, mas não se tem a certeza se eles dão um passo, ainda que pequeno, para se aproximar e experimentar a convivência com o Cristo ressuscitado que está na pessoa que se consagra.

Do lado dos Institutos e Presbitérios, há, também, muito a mudar, para que o apego a “manás” não esconda a novidade que Jesus quer revelar através dos seus carismas. Refundar um carisma não é transportar “ossos” de um sepulcro para outro, mas reler a ação do Espírito Santo através do legado que começa com uma vida, mas não cabe nessa vida, porque é para muitas vidas e experiências de vocação. A “solidariedade vocacional em espécie” implica renovação das próprias instituições, para que haja “oxigênio” espiritual novo, hálito novo a ser respirado pelas novas gerações.