L 1 At 6, 1-7; Sl 32 (33), 1-2. 4-5. 18-19 Ev Jo 6, 16-21
Hoje celebramos a fundação do serviço da diaconia ou a missão do serviço, que decorre da fidelidade à Palavra e da resposta criativa que a Igreja primitiva procura dar às necessidades do tempo, à luz do Espírito Santo. A reorganização da comunidade decorre, portanto, da obediência (ob audire = capacidade de escutar) à Palavra e da responsabilidade (respons = capacidade de responder) diante dos gritos que chegam aos ouvidos de Deus.
À primeira vista, se fôssemos a comparar os serviços a que chamamos de “ministérios” à luz das ordens profissionais, a eleição dos sete dar-nos-ia a impressão de que os Apóstolos estão a delegar uma função inferior aos diáconos, para terem mais tempo de praticar a sua função superior. Não é coerente falarmos assim. Cristo é Sacerdote e, também, igualmente Servo. E só pela comunhão na diversidade de serviços (“ministérios”) é que O poderemos representar. Não se trata de superioridade nem de inferioridade em nenhuma das funções, mas de reciprocidade, a partir da mesma dignidade de participação na missão. Jesus deixou claro: “quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos” (Mc 10,43). Obviamente, este modo de ver não anula a definição hierárquica da diferença essencial dos graus ministeriais no sacramento da Ordem, a partir de onde os que os vivem são chamados a viver a comunhão, para benefício da organicidade da Igreja.
Por outro lado, a revelação do Pai através de Jesus aconteceu através da unanimidade ou coerência entre a Palavra e os Gestos ou Sinais da Salvação. Da declaração “Eu sou” presente no Evangelho, decorre que ao lado da Palavra estão as Ações que a encarnam e como que lhe dão credibilidade. Na liturgia: palavra e rito; na vida: formação e ação. Jesus está na Palavra e nos Gestos. Está na Palavra e no Serviço. É integralmente Ele nas duas coisas. Não é “coxo”. E só na reciprocidade dos ministérios é que a Igreja, corpo de Cristo, não será “coxa”.
A ocasião em que Jesus Se manifesta caminhando sobre as águas ajuda-nos a compreender que Ele está presente no convite que faz aos discípulos de irem à frente no barco e também está presente à chegada deles na margem onde é preciso aportar. O convite dos discípulos a que Ele entre no barco parece não ser correspondido. Talvez o Mestre nos queira ensinar que Ele está mas não vive fechado dentro da barca da Igreja, mas envia e vai à frente dos seus querendo-os a viver a comunhão, através da participação no seu projeto do Reino e aportando na missão. O “todo é superior às partes”, como nos sugere o Papa Francisco em “A alegria do Evangelho” (nn. 234-237), ajudando-nos a ver a tensão que existe entre o aqui e agora e o fim-dos tempos, entre o peregrinar da Igreja e o triunfo que está prometido no horizonte do Reino de Deus. Este e outros parâmetros aqui resumidos e que o Santo Padre para uma nova etapa de evangelização a partir da Igreja podem ser, também, muito úteis para a comunhão, participação e missão entre as várias formas de vida consagrada.
