L 1 At 5, 27-33; Sl 33 (34), 2 e 9. 17-18. 19-20 Ev Jo 3, 31-36, na Memória de S. Estanislau, bispo e mártir
Os Apóstolos não escaparam ao Sinédrio e o sumo sacerdote não escapou à dificuldade de apagar da memória a cumplicidade na morte de Jesus. A pregação dos Apóstolos evidenciava, como proclamámos no Evangelho de ontem (Jo 3, 16-21), a luz que veio ao mundo e estavam diante daqueles que amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. Ficava claro aos olhos dos Apóstolos que “todo aquele que pratica más ações odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas” e que “. Mas “quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus”. Por isso, nada têm a temer, respondendo que é a Deus que querem obedecer, porque é d’Ele que recebem o Espírito Santo.
Como se sabe, está em causa o incitamento feito pelos saduceus ao Sinédrio contra os Apóstolos, não só por causas de razão doutrinal, mas porque o Sinédrio (senado legislativo) é que distribuía os cargos nos quais estavam interessados. Está claro que não há razões civis que pesem na condenação dos Apóstolos, como também não as havia no processo que levou Jesus à crucifixão. Em causa estavam a desobediência ao Sinédrio e, também, a suposta difamação dos judeus. Quanto à primeira, Lucas evoca o papel de Pedro de defender o princípio básico segundo o qual deveria ser julgados: a obediência a Deus é superior à devida aos homens. Quanto à difamação, Pedro não recua, voltando a dar testemunho da verdade sobre a responsabilidade de quem matou Jesus, aproveitando a ocasião para anunciar o kerygma cristão: a morte e ressurreição de Jesus.
Agora volta-se o “bico ao prego”: enquanto que o Espírito Santo livra os Apóstolos do medo, cresce no coração dos judeus um duplo medo: se Jesus está vivo como dizem, como se vingará Ele? Por outro lado, se é verdade o que dizem os escritos antigos certificados pela mensagem de Jesus, de que Ele será o definitivo chefe do povo, o que será deles? Na verdade, Jesus tinha dito a Nicodemos: “Aquele que vem do alto está acima de todos; quem é da terra, à terra pertence e da terra fala. Aquele que vem do Céu dá testemunho do que viu e ouviu; mas ninguém recebe o seu testemunho”.
Na viragem do primeiro milénio para o segundo, Santo Estanislau, na Polónia, foi uma grande defensor da liberdade da Igreja e da dignidade do homem. Sofreu a morte às mãos do rei Boleslau II, cuja má conduta tinha repreendido. Combateu o combate da fé, como os Apóstolos, recebeu a coroa da glória do martírio. Peçamos a Deus que nos ajude a permanecer firmes na mesma fé, nesta alba do terceiro milénio do cristianismo.
